quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quarta

Setembro ainda. E tudo lá fora é fantasia... brilho bruma vapores e hálitos vulvânicos quando cavas fundo o substrato ancestral e obsceno da argila neste silêncio-amora que o fôlego evola no sobressalto da ilha.

Medro dúvidas. Nada sei se compreendo, me rendo como rede estendida no nada, convulsa renda tecida em cirandas de mãos ágeis e sedosas que costuram signos no ventre. 

Mergulho dúvidas. Vasculho, revolvo e focinho fósséis debaixo dos lençóis do tempo descendo a noite. E sobre as colchas que me retalhas em expostas conchas entre as coxas. Não sei se cura a cara a palavra em descoberta nu espelho da larga ilharga e da lagoa muda.  Mas desnuda e transmuta a face de furna em flor.

Falseio dúvidas. Parto para o mar que lambe os rostos em contorno na areia e quando à exaustão das viagens tu me molhas e fustigas a cabeleira medusa faminta como ventosas soltas à força dos ventos.

Setembro anuncia. E aqui quando o olho da ampulheta pisca e dormita beijo teu vocabulábio e tua língualírica audaz me lambe voragem de nascedouros e invenções, e me abre escapulário lábio de segredo-córrego leitoso até o rubro viscoso do osso de mim.

Um comentário:

  1. o último tremor de morte
    da línguagridoce
    o silêncio do céu cintila
    uma corrente de metal
    lâminávida línguáspera viva
    uivândalosonhos
    tecidos no silêncio ocioso
    diantespelho da noitespessa
    o sanguestendido
    um arco-íri(s)desce do escarcéunário
    imenso ensimesmado riodiário
    entre o denso frio
    de almas entristecidas
    de gemidos quebrados
    onde lábioseios submersos
    na nódoa amêndoa do mundo
    da medula que acidula
    o ácido de similar seiva o mar

    salivas espumas
    saboróseas líricas
    este perfil narciso
    dentre postiço desvario
    de vapor parvo
    solstício de verão o inverno
    onde acarí
    cio o orifício dentrifício
    são ossos do ofício
    o negócio do ócio o oco do fósforo
    a desforra da salamandra
    o ar voraz de sandra
    da razão envolver a árvore vertical
    onde vou ver o mar
    o vôo do alb
    atroz
    revolver o mármore suave do martírio
    rever o amor
    abalar a ave
    (a)tingir de vermelho a alma
    o revólver (a)tingir

    a dor ir
    revogável do duro ofício diário
    o orifício do caralho
    expelir a voragem no orvalho
    a cor do carvalho
    a cor da desaceleração
    a coragem coração
    o sabor da amargura
    a levedura o langor
    a armadilha a tortura
    a tártara ruga
    da tartaruga
    a rusga entre a armadura
    e a pedramole tanto embate
    até que fode
    e marche e desfolhe
    e ore e descolore e descobre
    a desoladora e vísceral arma
    a empunhadura do punhal en
    cravando a unha na espinha dorsal
    (f)agulha

    parati para mim para-mirim
    que me vou prá tramandaí
    oh tremendão
    e daí que a pa-
    lavra me tece me retece me remete
    etecétaras e tais
    me derrete na mão
    o chá das dezessete desinto-
    xica da silva adeus à chica
    a porcelana xícara
    uma porção cara me excita
    um bacanal me recita
    um som de cítara no carnaval
    uma batalha em guadalcanal
    street uma doca estrita
    mente leia-se leila diniz
    um disse que me disse
    tu me dá dez que te dou vinte

    prá escrever uma " renga em new york "
    que é maior do que a morte
    só há vida após a morte
    mas eu não creio nisso não
    nem receio disso não
    eu anseio teu seio na mão
    malvada minha cara mal lavada
    cheia de tesão eu te toco
    touch me
    em tocantins
    caprichosamente boi garantido
    em parintins
    a palma da minha mão
    no sertão do jalapão que o diabo amas
    sou assim mesmo ensimesmado
    lá onde o diabo
    perdeu as sete botas do gato
    eu vi um gato
    resmiando à espreita
    um rato atrás da porta

    vê se te endireita
    vira à esquerda na es
    quina da mesa eu te como
    sobre a mesa debaixo dela
    sentada na cadeira
    sem eira nem beira
    à river
    side do rio de janeiro
    o teu passado da portela
    oh! jardineira
    que passa um slide do sambódromo
    um drama sambado da mangueira
    do morro do salgueiro
    eu mo(r)ro na ex-barra da tijuca
    ventania ao corcovado da urca
    ao arco da lapa
    que nhaca essa vida que não é vida
    que não é vida é replayground
    da minha vida é só uma ida...

    ResponderExcluir

Investigo as vértebras da noite. Entre as fendas do tempo como escorpião espreito de soslaio a vida transitando pela casa. Pelas ruas. Corp...