sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Intervalos 1

asas do crepúsculo
descem sobre a cidade
como lençol em chamas

**

galpão em ruínas
debaixo dos entulhos
os ossos o silêncio a voz
(tudo ainda respira)

**

fundo falso do abismo
contemplamos
a ilusão

**

navegam as nuvens
barquinhos de papel
na superfície do lago

**

língua fiandera
tece silêncios
no céu das palavras

**

passos vagarosos
visitam o silêncio do taco
da casa velha

**

entre dois silêncios:
setembro, crisântemos
e intrigas do tempo

**

nosso canto ao longe
ondulando o lago 
no fim de tarde

**

miosótis
na alameda da casa
ruborizam a manhã

**

palavras de vento
dançam as pétalas
no jardim da nova estação

**

na noite passada
o sonho passou
em claro

**

jardins de setembro
lua e sol na alameda do céu
brincam de cintilâncias

**

alvorada
o corpo exangue
da noite estirada de lua

**

de manhã
andorinhas em bando
banho de alecrim

**

em teus braços
deito dançarinas 
palavras-pétalas

Um comentário:

  1. ao fim de tarde
    feito lamparinas -
    os pirilampos...

    ***

    amanhecer -
    pardais em bando
    me fazem acordar...

    ***

    ao final de tarde
    a tormenta ilumina
    o perfil da cidade...

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Investigo as vértebras da noite. Entre as fendas do tempo como escorpião espreito de soslaio a vida transitando pela casa. Pelas ruas. Corp...