quarta-feira, 7 de setembro de 2011

desfiando palavras 2

...como o coqueiro enraizado na terra, geme seu tronco ao vento alucinando a goiabeira da casa velha dentro do quartinho de telhado de amianto. tanto tempo a gente se olha e se guarda. dentro do olho outro olho depois do ocaso. entre os olhares o vasculhante aberto, a manhã com suas garças sobre outros telhados e o ocaso cintilando as paredes dentro do quarto com aquele pó do tempo amarelado, coisa mágica  que parece ouro caindo para fora de nossas ampulhetas...será mesmo tem sempre algo depois de qualquer coisa? e pra onde vão todas essas coisas depois que cai a tarde-noite? e pra onde vão os sonhos quando a cor damos? se tu me alvoroça goiabeira, das folhas e galhos caem lagartas de fogo, é fogo, viu!? Fogo de todas as cores e muitas caem no nosso cocoruto, pois é de ferver o juízo da gente, então será depois elas virarão borboletas saindo de nossas cabeças duras? Teu desafio me suspende no vôo de teu abraço, e tu_do me gira, gira.




***




hum, também tem um pássaro encarnado na pupila de meu olho, pássaro antigo a me gritar nas horas de vôo no entardecer dos dias, rosa-ouro que corta o céu por trás das folhas de coqueiros no fim-de-tarde-quase-noite, sozinho ele mergulha e atravessa a minha sozinhez de ser. Sozinha eu faço solidão. Doceira de mão cheia e tem vez mãos vazias, mexendo o tacho de doce como feitiço com feitio de alegria, mas nem uma criança vem meter o dedo na doçura de minha solidão. no labirinto já peguei todos os minotauros, miniaturas de solidões, quem tem asas pode fazer vôos para fora de nossos tediosos labirintos e encontrar cidades ilhas onde estão outros labirintos e grandes fios de arder as mãos, é bom porque nunca se sabe o caminho, nunca se sabe onde vai dar. é porque não tem saída?
Mas desde sempre tenho manias de dar em nada, o fio vai sendo tecido assim manhã após manhã, tarde após tarde, durante noites inteiras, e nessa rede que balança pendurada no nada a gente para pra descansar, fazer outros teares, outros labirintos dentro de outros labirintos até se cansar e ficar tontos e provar do doce que ninguém é de ferro! Que ferro enferruja! Ser de seda, sede, água, pó e nada que é mais volúvel e macio próprio para labirintos.

Um comentário:

  1. é preciso ouvir
    o silêncio dos ossos
    está por vir

    este silêncio
    que ao ver-se
    pedra se faz pedra

    são os nós
    que vivemos solitários
    em gravuras indigestas

    tudo o que fazemos
    não é findo nem começo
    somos parte desta f(r)esta ?

    não há tempo para temer
    para caber em tanta dor
    tudo é tanto é ter ou não ter !?

    teus labirintos
    onde suponho um riacho
    de estrelas tramando pétalas

    a sede que te sinto
    nesta tarde de ocasos e garças
    move-se em silêncios soltos

    esta solidão
    que lhe dão não é só tua
    é minha

    o vôo do pássaro
    por sobre os coqueiros
    cuja sombra rasga o céu

    sibilando sobre mim
    como uma chuva que se esvai
    ao clarão da lua

    a lua que paralisa a visão
    cena que transborda o coração
    do memorável céu

    juntos iremos juntos
    nessa densa névoa
    que agora vira ouro

    onde teu feitiço
    me encanta e me toma
    por um instante

    sabemos
    a agonia dos ossos
    e a dobra das ondas

    primavera de trevas
    e líricos cristais
    de ouro-luz

    à deriva do horizonte
    o crepúsculo cresce
    reina e dá de ombros

    e não raro acena - eis a cena:
    um rio trans borda mil veios róseos
    nas rimas da anatomia

    o rumor do mar
    é murmúrio sem rumo
    como um ébrio
    derramando seu rum

    a borboleta é uma estrela
    sobre a pedra
    a desafiar o cotidiano

    ouve o vento:
    o tempo é exíguo
    antes que anoi
    teça o silêncio

    entre tuas ranhuras
    minhas intrigas
    no instante mais espesso
    do orvalho mais suave
    relâmpagos de silhuetas...

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