alessandra espinola
quarta-feira, 20 de maio de 2026
outono de inverno ( título puramente provisório) em processo...2026
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Pequenos poemas
1.
Manhã fria
Sol se demora a levantar
Névoa cobre o dia
2.
Céu limpo
Caminhão na avenida
Cata o lixo
3.
Crianças na escola
Algazarra no pátio
Vizinhos reclamam dos gritos
4.
Cães latem ao longe
Cada latido
um osso
Alessandra Espinola
Rio, maio de 2026 .
terça-feira, 5 de maio de 2026
Pequenos poemas
Sol se põe
Entre as nuvens esparsas
Pássaros molhados
***
Avião passa berrando
acima dos telhados
´pista de repouso a casa
***
Sol se põe entre nuvens
atrás dos morros
pássaros gralham na tarde
***
Nascida de outono
Flor lilás faz festa
No quintal de casa
Alessandra Espinola
Rio de Janeiro, maio de 2026.
domingo, 12 de abril de 2026
Folhas Soltas
Outono das Folhas Soltas:
árvores inteiras soltam o verbo
de todas as cores, começaram com as flores liláses, azuis, roxas
brancas como as nuvens no céus, fatiadas como bolos de aniversários a serem distribuídas ao público infantil,
hora de cantar o Parabéns!
Chegou Outuono, lua nova, algo renovando, novo que vem sendo gerado
palavras soltando sentidos antigos de outras estações
palavras flores como armas de ponta-cor, engatilhadas de pensamentos -palavras -pétalas
cheira esse gosto de músicas clã-clássicas atiradas no ar
flautins flautas de barro chegando à Terra - via mar
aportando na praia os sons da orquestra marítma
outono palavras soltas como incenso de ser sendo
escritas nas folhagens de outono voando no vento chegando no destino nutrindo o mundo
palavra é caminho, palavra é estrada palavra de mão dadas
encruzilhada crua que cura
corta a carne da ferida, suavemente, dor guardada, abre o caminho sulcando a palavra como larva na terra
Desliza quente na ilha
palavra, larva que vira pupa e voa
pássaros soltando penas
bico arrancando à pena a pleno pulmão
ritual feito se tira espinho na carne: a cruz cravada no peito
arrancando a palavra calada : morte a ressurreição
Colhendo Lázaro entre pedras
a leitura silenciosa: alíngua procurando saida no céu da boca
aplainando a mémoria
memória não é chão, é voo, trajeto errante percorrido . Aprendizado. Trilha de caminho rústico, árido hostil cru mata virgem
trafego aéreo para pouso arriscado
Pista escorregadia
Arremeter. Levantar flaps.
voo cego acima das nuvens
memória é tapete voador no vento
a torre de controle rntrou em contato
não estamos sozinhos
Viagens para o estrangeiro
O amor é o passaporte
Mas não cobra passagem
palavras ao vento a memória
a gente pega como as crianças pegam pipa voada . O teto é palco de comunicação, telhado conexão antena parabólica parabéns paracelso parabéns pararaios
as vezes pombo na asa do avião
acidente ao acaso
Pombo no vão da casa
sempre foi preciso antes do ninho, do casulo do voo - o chão!
folhas soltas tem vida de chão, folhas secas tem sede de chão, folhas ao vento tem carência de chão
folhas tem fome de raízes e de novo chão.
Terra-chã tem ventre para vento fogo água
Terra clã , os ossos se levantam em palicadas, exemplo científico, barro em calcificação
tem corpo de lava de lua-vulcão
Alessandra Espínola
Rio outonal, domingo de 2026.
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Folhas Soltas
Dentro da biblioteca as histórias saem dos livros, se levantam de dentro do silêncio humano folheando memórias e realidade - atravessndo as linhas escritas pelo tempo, as histórias contadas na escuta que vive junto, caminha e vira parte da trama como um ser do palco invisível.
Da biblioteca escuto o cavalo correndo na rua, galopando na tarde nublada, silêncios. Avança seus cachos no asfalto, vejo sua musculatura chicoteia a crina aos céus. Como um urro um grito. Cavalga a frente do tempo.
Vira a esquina e some na estrada. O horizonte recebe o passado.
Ossos tocando na tarde a ladainha da vida.
Depois de uma pausa dessa orquestra de memórias e páginas relidas, outro cavalo na mesma direção, no mesmo asfalto, na mesma rua, seguindo o mesmo destino, só que agora com uma carroça improvisa a meia boca. Não menos pesada, mais vazia e menos elaborada com madeiras recicladas. Camadas pelo caminho.
Atravessam o tempo, o cavalo o que se acha dono do cavalo montado sem preparos sem aparos sem rédeas. Só o galope solto quase a esmo. Passam em frente a biblioteca.
Logo depois o ronco do carro, das motocicletas e um som de uma rádio falante.
A tarde se alonga, mas logo há vozes de criancas jovens, movimentação, dois homens curiosos se admiram e olham o ceu. Um dorme e eles apontam e acononahm o drone passeando nos ares. Corre pra trás do morro...e some.
Crianças correm no meio da rua, gritam "mãe, oh mãe " e como pequenos cavalos correm, quase voam no galope, mais ronco de motos, vozes se apinham ao redor. Um novo ciclo do dia. Pássaros cantam. E trocam assobios, pios e sassaricos. A orquestração do dia ensaia incessante. Todos a postos de novo. As crianças gritam como fossem aves! As mulheres falam das novidades - corriqueiras. Algumas fofoqueiras , outras idiotas não sabem que são como bonecas de pano manipuladas pela fé. As idiotas perfeitas dos que se acham espertos.
Sons de. Ferros que ranger, a muita a cortar e cortar cortar eternamente cortam o som espatifar no ar as coisas todas enriquecidas dos anos passados. O som da vassouras rascando a superfície, o refrão do ronco das motos , os pio dos aves, as árvores. A buzina das motos em re menor.
O avião no meio, tenor na cortina cinza -azul deste palco aberto.
O arrulhar dos pombos nos telhados. As casas. Os prédios. As janelas abertas dos prédios que dá para o quarto, camas beliches e velhice postas nos sofás.
Outro avião abrindo a cortina. Cortando os ares. Uma bicicleta motorizada atraveessa a rua na mesma direção do cavalo. E mais outra buzinando vai para o lado oposto, na contra - mão. Um cão late do outro lado da calçada, e outro e mais outro.... o passeio das motos aumentam, os roncom os pássaros. Vozes de homens.
Um mulher passa café, o cheiro exala. Os passos dela no gcao liso tem uma velhice e uma maciez , sons d'água. E a máquina de cortar recomeça a trinar e a zurzir azulejos, mármores, concretas superfícies.
A tarde esfria. A biblioteca silenciosa escreve histórias, a mão da eternidade traduz suas digitais.
Alessandra Espinola
Rio, 10 de abril de 2026.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Folas Soltas
pássaros da manhã
de repente um pássaro pousa na bojuda cabaça sobre a mesa de madeira, outro no jarro de barro, e mais um na moringa de porcelana branca
os pássaros da manhã abriam as asas lentamene no ninho, sobrevoavam o cano da aurora sobre as casas, a família, a vizinhaça e a comunidade
o céu a_cor_dando azul, a luz cintilando nas paredes nas ruas nos olhos das crianças e nas roupas do varal, nuvens rastreando lágrimas antigas no fundo das moringas - paradas, prontas a secar como folhas soltas secas e bailarinas sobre a estensa mesa de madeira da casa.
o silêncio em nota maior, na pauta do dia a música dos pássaros da manhã inauguravam o concerto do feriado. o sol abria o concerto com sua batuta mágica. o espírito das ondas do mar banhava-nos a sede que não cessa.
água e vinho.
o filtro de barro de água e o barril de vinho
a cumeeira no centro da casa
a reunião na sala , café, raízes e a música , a flauta , a vitrola de madeira forrada de crocê branco
a mãe colocava agulha na linha exata do disco e logo as primeiras notas tocavam nosso coração
onde os continentes se aproximam e se encontram
todos tomados banho
portas e janelas abertas
a mãe, o pai sorrindo
os pássaros da manhã anunciavam a chegada do novo - que nem sempre era depressa, mas no lento brotar de sementes lançadas em vôos, cantavam a dança do dia, da luz que a nova estação pintava e era um suave toque dos ares, a casa se enchia de um novo fôlego.
Alessandra Espínola
(outono santo de 2026)
Rio de Janeiro, 03/04/2026.
terça-feira, 24 de março de 2026
Folhas Soltas
Folhas Soltas
No silêncio, à noite, tudo fala, a cantiga, a canção, os diálogos, o roteiro, as histórias, os passos sobre as folhas atapetadas no solo, as vozes gravadas dentro deste amplificador. O cheiro do vento, O assovio do esmeril na oficina. Os metais se transformando. As limalhas de fogo cintilando o olhar. O Pai que trabalha noturnamente. Sob a luz acesa - da lua, da lanterna, do poste, dos olhos da coruja no alpendre da janela diante da bancada. Os óculos , a lupa, o punhal, a ampulheta, os cadinhos, as ferramentas postas sobre a mesa grossa, longa e antiga de madeira, o solo puro batido sustentável e fértil do tempo. Uma certa vegetação ao redor. Raízes por dentro. O radio ligado, o saber, a comunicação, a música e o silêncio. O céu aberto, azul marinho, escuro luzente de estrelas, faixos de cometas, metoros correndo solto nos ares. Era um espetáculo que se desacortinava na presença do pai. Meu maoir patrocinador de vida. Orquestra de mulheres que me sorriam, me davam a mão e eu entre dois mundos. Inteiros, Densos. Intensos. Ricos.
Na cozinha , a mãe, com os trajes de lenço branco na cabeça, o café cheirando, os brincos de ouro, a pulseira de cobre. A vela acessa.
Eu me escutando por dentro o coração como uma terra pátria, língua materna. Dentro do tambor, corpo e escuta. Folhas soltas no quintal, eu perguntava à mãe, qual origem da árvore de cada folha estendida e de cada fruto espalado no chão. Os pássaros que moravam na árvore cuidavam das sementes, alguns deixavam a casca ninho e levavam o núcleo no bico como um coração na boca, se nutriam, em bando propício de estações. Migravam. Era uma geografia de folhas soltas nos ares. Asas, sementes e voôs.
As folhas soltas eram pássaros, abriam as asas diante do renacimento e dos sonhos. Tomavam forma , palavras-árvores, sonhos alçavam voos e cumpriam sua rota dentro da rosa dos ventos.
Alessandra Espínola
(outono na cidade dos vales em 2026)
Rio, 24 de março de 2026.
outono de inverno ( título puramente provisório) em processo...2026
Outono de inverno O chão se move corrediço. Tábuas tacos alvenaria telhas terracota. Camboja-Brasil. ah, chove com raios duplos! diria meu...