Fim de semana clássico de sol em meio a inverno, quente e abafado. O clima anda revolto. A natureza nela mesma busca o equilibrio.
É cedinho e o silêncio consegue aparecer dentro da comunidade. Aos poucos, os seres vão despertando em agitação, abrem a porta e batem com violência todas as paredes e juros tremem, os passos são batidas, panacdas no chão ecoa em todo espaço do beco e chega a rua, o barulhos das portas das casas. Os moradores despertam e se movem agitados como vermes vistos no microoscópio ao primeiro raio de luz. Empurram as coisas, portões, filhos, móveis.
O avião atravessa aerovia no palco celeste de cortina azul.
O apito do juíz de alguma pelada num campo rasteiro.
Alguém chama e começa a gritar o nome do la defora do portão. De novo, a mulher espanca o portão.
A criança eternmente chora, o dia inteiro a criança chora. Até a hora que passa a noite. O portão estronda sem cessar. Alguém segue a abrir num já vai gritado. Tudo é aos berros na favela/comunidade. Um ninho agitado e desfrome. As pessoas correm, tudo é apressado, gritado, violento. A criança chora.
O silêncio aparece entre uma pausa e outra. O som de bater de asas. De uma pá de metal que toca no chão.
Os objetos são jogados no chão. Nas casas de cima. E na parede ao lado.
Passarinhos piam em algum telhado. A criança balbucia.
Os cães latem, os donos rosnan e brigam com seus cachorros na rua. De coleirase sem focinheiras os cães representam os homens que os carregam. Medem força. Se mostram Às mulheres qe passam. Motoqueiros aceleram as motos e se orgulham do ronco, quanto mais alto mais forte ou mais veloz.
O galo canta ainda que tardiamente. Os cães latem como se discutissem seus espaços na politica. Em seus terrítórios. Outros dormem na caçada, cansados já. Bonachões, aparentam não se procupar com nada. O lixo amontado no portão espalhados na calçada. Expostos em seus sangues, plásticos, fezes e fraldas, restos de comidas estragadas, sacos plásticos rasgados como peles humanas que revelam o que há dentro. O sol ilumina o interior das gentes. Camisinhas usadas, abertas entornando seus caldos. pelo chão seringas, vidros quebrados, cigarros queimados de maconha, restos de cigarros apagados, garrafas inteiras de vidro, livros didáticos novos da educação pública. A mancha de oleo de carros da oficina lambendo toda a rua. Ratos e ratazanas imensas correm de um lado a outro e entram no bueiro e em seus buracos.
A cada esquina uma montanha de lixo. No que em um a placa anuncia:
" Não jogar lixo aqui, por motivo de força maior. C.V.V."
Não há o mesmo anuncio em todo bairro em toda rua , em todas as esquinas. Um pena.
Mas já no outro dia a montanha de lixo chegou ao topo. E, de novo, novo aviso.
O monturo se cria e recria aos longo das eras e feras.
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Anoitece
Na calçada do boteco da esquina, o preparo de pagode ou flashbacks. À noite tem samba! Ninguém vai dormir. Luzes e som. Em frente, a igreja evangélica de portas de vidro celebra aos gritos a fé como se xingasse alguém.
O som das kombis anunciando promoções e itinerarios. a montueira de lixadara na outra esquina. Os cracudos remexendo dentro. Toda a cena compõe um espaço pequeno de acontecimentos extremos diversos e múltiplos. A densidade escura e cheia de luzes opacas e piscantes impedem qualquer visão real do palmo a frente. Não se ouve nada com nem um flesh de clareza.
É preciso atravessar toda esta extensão e só depois olhar falar ou ouvir. É preciso olhar o chão onde pisa, seguir delicadamente por entre os desníveis, dar os passos bem pisados em algum ponto firme.
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Rio de Janeiro, inverno de 2026.
Alessandra Espínola