terça-feira, 1 de setembro de 2026

[Anotações - inverno de 2026]

É terça , começo de semana de muito trabalho, é noite e a igreja berra batuca, os sons dissonantes e guturais altíssimos, baterias estourando o ares, um teclado em som de guitarra em ritmo repetitivo incessante, a garganta da mulher grita rouca, as paredes treme igual ao funk pancadão de cima as paredes vão cair - penso eu. um tremor de objetos. O inferno constituído. Após as chuvas e já noite tarde a Natureza em sua perfeição "pensa" que vai se equeilibrar e se harmonizar em sons - silêncio - e formas Belas de ser. Não vem a anta monstruosa do ser humano que intenciona o onferno, o caos e aí a enxurrada de doenças de todos os tipos e desequelibrios fisicos e metafísicos. A criança que não pára de chorar a noite toda e grita, gutura também, autista não verbal. a outra criança também chora inintetrruptamente. o arrast-arrasta nas casas , o barulho no teto. O entregador gritando horas a fio a noite adentro "Farmáciaaaa!!! , Farmáciaaaa!!!! Farmáciaaaaaaaaa!!! Ele berra infinitas vezes cada vez mais alto, bate com força no portão, os estrondos atingem os fundos, ninguém atende. Ninguém responde. O portão ressoa aos berros e socos. A igreja vai ao extremo em sua histéria e poluição sonora forma banda com o grosseiro, desarmonico e violento batidão do tráfico.. Tiros e fogos se mesclam na zoada sombria. O colpaso e caos do inferno está posto. A terra em seu estado receptivo reage, claro, eterna e imortal. Se agita em cada átomo e sabe -se lá vai formando o quê em cada corpo. Meu deus, não permita que eu diga! 

E segue o baile - como diz a garotada- a lixadarada no corredor, os restos de consumo na calçada atropelando as gentes, o mar de lixo na rua, os ratos zanzando. O cheiro insuportável de cigarro que toma todo o beco. A cena é surreal. Duas motos passam com homens de fuzil na garupa. Logo em seguida, dois carros potentes cheios de homens com armas incríveis (potentes), novas, pretas, prateadas e douradas. um primor metálico. A igreja louva mais alto em som desarmônicos e de baixa construção musical e baixa vibração, não tem pausa, Não tem harmonia. Não tem fim um troço desse. O ronco das motos fazem coro. Alta noite. O avião passa e se junta ao estrondos nos ouvidos, nas paredes, nos objetos que vibram na confusão e na violência dos sons, a luz parca, escuridão pesada, luz carregada de pressão, densa, substancial, não se move, pisca querendo faltar. o cachorro late até cansar, não cansa, late no meio , no começo e late sem fim. Os carros enconstados e abandonados velhos, apodrecem em fileiras na rua diante da igreja, das casas, amontoam-se e ocupam espaço se misturando à escuridão fétida e caótica. Os homens bem armados viram a rua numérica e sobem. Alguns vizinhos pelos cantos. Nas sombras escuras. Ao vento, a folha de zinco range estridente. Portões são fechados com violência, portas que não fecham são batidas até o teto e o chão vibrar. O sufocamento dos ares na favela, a pressão atmosferica pesando e pressionando, o encurtmento do ar e do espaço. Luz, som, câmara (comprimida), ação. Dá-lhe empurrão nas massas! Segura! Apreta! Aflige! excita! Agita! Desordena! Extermina! Retroalimenta as massas! dá-lhe ração nas massas! Tapa a luz do Sol, tira água, tira luz, põe barulho, põe cores amontadas cega a visão turva de luzes fumaça e meio neon tum-tum, zique-zaque, repete tudo, mais lixo, lixo aparece, violência, caos, confusão, desarmonia, comando, familia em degradadação começando pela porra da que sai no `"à jato" da ejaculação do cara que trepa no muro sebendito (sebento) da parede da igreja que grita, do lado de fora não goza fora, a mulher de saia levantada, uma perna segura em pé e a outra o homem segura até soltar e logo fechar o zíper. os ratos passam perto, o homem olha os ratos. E mole, não sacode mais o corpo da mulher na parede. A saia longa escorre até o chão. ela ajeita a alca da bolsa no ombro pega o livro fechado no chão segura passa mao limpando e aperta contra o peito. Ele se apressa  na frente no ritmo de marcha, ela meio perdida procurando testemunhas, olha em volta e o segue. Ele passa a mão na boca como se tivesse comido uma coxa de galinha gordurosa, passa mão pela cabeça e anda rápido recuperando agressividade de fuga, novamente. A culpa deve ser a sombra que os perseguem, eles olham pra trás e continuam, não voltam pra igreja que continua berrando. o cachorro cheira o casal e vai atrás, o homem o espanta. Virão a esquina ao longe, a franja da saia dá a_deus, e somem no última curva da noite.  E o cheiro de podre exala.

E la nave vá! 

Outro avião vai pousar, cumpre sua rota em direção a baía da guanabara. O bico mira a pista de pouso. Flaps acionados. Céu chuvoso. Alerta de defesa civil mais cedo. Ventos e chuvas fortes. Do barulho também muito forte: Alerta aqui de defesa sonora, fisica, química, territorial. Humana.  Amanhã, já cedo, veremos o resultado disso. E, ao longo do tempo já estamos vendo e vivendo. Imagina a grávida. E seu feto na barriga. Se treme as vidraças as janelas as paredes a rocha aqui . Que dirá a gua na.barriga onde o bebé fica e o que acontece com esse filhote no ventre. Cruz credo! Que vida desgraçadas vieram e tem.vindo aos montes feito.ratos do bueiro. Caraleo! E o primor da bestialidade da vida. E o que comem!!?!? Ara, já a noite vai tarde. E ador escala os tijolos das paredes... Amanhã em anotações, na crônica do dia falo do cardápio que é ofertado e consumido.

E quem come o quê. Vai se empurrando goela abaixo das massas. 

Escreverei amanhã da culinária típica daqui. Se eu tiver paciência.

Os destroços e restolhos amontoados girando no caos da estupidez humana. Em sendo humanos. O subúrbio - a parte misturada girando no ciclone. Alta velocidade de particulas de gentes, manipulável por outrem, infelizmente. O submundo das cidades. 

O fim não começa. O caos não termina. Delírio que se materializou na multidão do subúrbio - nas comunidades do subúrbio - a cidade se decompõe - uma nova geografia se aprofunda, como um interminável buraco negro. 

Amanhã tem mais, se deus quiser!  


 [etnografia do cotidiano . Alessandra ESpínola. 2026]

Rio, 01/09/2026 

 

 

[Anotações - invervo de 2026]

A vida é um moinho

moinho de gente:
 
há 12 anos atrás teve um ventania forte no Rio. vão se passando os anos e ciclos da natureza micro e macro. e os acontecimentos e feitos e colheitas vão se apresentando no palco do mundo e da vida. de novo e de novo em novas páginas e calendários, o que fazer com o impoderável? respiro e sorrio ..., vida um escárnio, uma viagem de redemoinho, um jatinho de ciclone e nos leva pra longe, bem longe.... longa viagem cujas estações são bem curtinhas e por isso a sensação de passar rápido.... vento forte, fogo fátuo, água barro e vapor, como disse meu amigo bombeiro : "o monstro que estava dormindo está despertando" ou "a gente está acordando o monstro que dormia"
que a vida seja leve com novos ares, novos respiros, novos ventos 

mas há 10 anos também, a roda do tempo gira e nos colocamos em lugar espaço-tempo-situações quue vamos olhando como uma paisagem e em sena no paloc, ação!
 
Alessandra Espínola
Rio de Janeiro, 07 de agosto de 2026
 

[Anotações - inverno de 2026]

O caminho da escuridão e da luz. do corpo nu e do não corpo a olho nu. 

O caminho do SER

O êxtase me acompanha em cada detalhe, nas cotidianidades, nas zonas noturnas - do tempo-,  do trânsito da vida, nos subterrâneos de mim, nas zonas impenetráveis de meu ser, no fogo de monturo, na zona longíqua da lua, no solo e no subsolo de que sou feita e habita em mim, na gosma que sai da lesma e caminha sinuosa lenta pela parede do muro da casa.

Reencontrei no corredor, depois que passei portão adentro, o brilho deixado no caminho como uma trilha de diamantes e me enchi de êxtase, de uma surpesa alegre e molhada, de um gozo, de uma contração lúgubre, eu amolecida e pasma. Os cantos úmidos do corredor da vila, a luz acesa me esperando chegar tarde da noite, uma lesmona gosmando meu tempo. Memória e sensação. lento movimento do cuidado.  

Abri a porta, e estou em casa. Meu privilegiado jeito de existir. É morrer para o mundo - "lá fora". Dormir. Repousar. Decantar. Desagrupar.  E viver, renascendo, para mim vida dentro - no quartz da Hora ou da Hera, no quarto quazar pulsante entre o ser e a possibilidades de vir a ser.

É noite. E a luz não extingue, ela repousa, se aninha, no núcleo sanguíneo de mim, no coração do indizivel e do inominável e do imutável Ser - e perfeito por ser tão multiplo, livre, imortal e infinito. Nada há que se temer a noite, nem o dia, nem as horas escuras dos meses em que a noite dura e cala e observa a zilhões de anos luz dentro da lentidão da lesma. 

Boa Noite, para você também!  

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, inverno de 2026.


domingo, 30 de agosto de 2026

[Anotações - inverno de 2026]

Fim de semana clássico de sol em meio a inverno, quente e abafado. O clima anda revolto. A natureza nela mesma busca o equilibrio.

É cedinho e o silêncio consegue aparecer dentro da comunidade. Aos poucos, os seres vão despertando em agitação, abrem a porta e batem com violência todas as paredes e juros tremem, os passos são batidas, panacdas no chão ecoa em todo espaço do beco e chega a rua, o barulhos das portas das casas. Os moradores despertam e se movem agitados como vermes vistos no microoscópio ao primeiro raio de luz. Empurram as coisas, portões, filhos, móveis. 

O avião atravessa aerovia no palco celeste de cortina azul.

O apito do juíz de alguma pelada num campo rasteiro. 

Alguém chama e começa a gritar o nome do la defora do portão. De novo, a mulher espanca o portão. 

A criança eternmente chora, o dia inteiro a criança chora. Até a hora que passa a noite. O portão estronda sem cessar. Alguém segue a abrir num já vai gritado. Tudo é aos berros na favela/comunidade. Um ninho agitado e desfrome. As pessoas correm, tudo é apressado, gritado, violento. A criança chora. 

O silêncio aparece entre uma pausa e outra. O som de bater de asas. De uma pá de metal que toca no chão.

Os objetos são jogados no chão. Nas casas de cima. E na parede ao lado. 

Passarinhos piam em algum telhado. A criança balbucia.  

Os cães latem, os donos rosnan e brigam com seus cachorros na rua. De coleirase  sem focinheiras os cães representam os homens que os carregam. Medem força. Se mostram Às mulheres qe passam. Motoqueiros aceleram as motos e se orgulham do ronco, quanto mais alto mais forte ou mais veloz. 

O galo canta ainda que tardiamente. Os cães latem como se discutissem seus espaços na politica. Em seus terrítórios. Outros dormem na caçada, cansados já. Bonachões, aparentam não se procupar com nada. O lixo amontado no portão espalhados na calçada. Expostos em seus sangues, plásticos, fezes e fraldas, restos de comidas estragadas, sacos plásticos rasgados como peles humanas que revelam o que há dentro. O sol ilumina o interior das gentes. Camisinhas usadas, abertas entornando seus caldos. pelo chão seringas, vidros quebrados, cigarros queimados de maconha, restos de cigarros apagados, garrafas inteiras de vidro, livros didáticos novos da educação pública. A mancha de oleo de carros da oficina lambendo toda a rua. Ratos e ratazanas imensas correm de um lado a outro e entram no bueiro e em seus buracos. 

A cada esquina uma montanha de lixo. No que em um a placa anuncia:

" Não jogar lixo aqui, por motivo de força maior. C.V.V."

Não há o mesmo anuncio em todo bairro em toda rua , em todas as esquinas. Um pena.

Mas já no outro dia a montanha de lixo chegou ao topo. E, de novo, novo aviso.  

O monturo se cria e recria aos longo das eras e feras.  

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Anoitece 

Na calçada do boteco da esquina, o preparo de pagode ou flashbacks.  À noite tem samba! Ninguém vai dormir. Luzes e som. Em frente, a igreja evangélica de portas de vidro celebra aos gritos a fé como se xingasse alguém. 

O som das kombis anunciando promoções e itinerarios. a montueira de lixadara na outra esquina. Os cracudos remexendo dentro. Toda a cena compõe um espaço pequeno de acontecimentos extremos diversos e múltiplos. A densidade escura e cheia de luzes opacas e piscantes impedem qualquer visão real do palmo a frente. Não se ouve nada com nem um flesh de clareza.  

É preciso atravessar toda esta extensão e só depois olhar falar ou ouvir.  É preciso olhar o chão onde pisa, seguir delicadamente por entre os desníveis, dar os passos bem pisados em algum ponto firme. 

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Rio de Janeiro, inverno de 2026.

Alessandra Espínola 

 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

[Anotações- inverno de 2026]

o lodo, a chama, , o choro, a grama, o fogo, a água, o lodo, a lama

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a vida é um rápido, um correndo, uma perda, um feixe luminoso, um faixo de fulgaluz, a caminhada vai se tornando cada vez mais, muito maiss solitária. 

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o fogo de monturo e eu: somos a fumaça do fogo ancestral, o movimento do avô, minha coluna vertebral.

o réptil nadador, corredor, camaleonico , cascudo que entra na casa com desenvoltura de uma criança que passeia pelo jardim, brinca no quintal, passa silencioso pelo lagoa, baila seguramente na lama, faz seu mergulho inovador pela piscina, pisa as plantas floridas de chão da mãe e vai lambiscando, o canil, o chiqueiro e o galinheiro da avó, assusta visitantes, circuleia a casa, pula janela  e vai para o quarto da mãe.  O cajado de pé acende a luz!

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somos o eco vivo, consciente e pálpavel do universo. a sombra da caverna ?

somos os restos, os restolhos do inconsciente do universo. Quer dizer, somos os fósseis cósmicos da vida do universo há anos luz. A Natureza é o nome feminino para o que deram de deus. um nome, claro que dado pelo mundo em seu teor de controlar pelo machismo (talvez?) A Natureza é feminina e tem ssuas leis, regras impenetráveis e inegociáveis, leis próprias nas quais não comando de ideologia humana e muito menos de ome algum, A Natureza unica deusa soberana e absoluta tem seus próprios mandos. E tudo determina. Suas regras, condutas e leis inalteráveis e incorrupteíveis, justa, clara, honesta, irrevogável. Fonte infinita de transformação e vida. A natureza é o que é. Não nada além da natureza. e suas escolhas dentro do espaço atômico que a Natureza te coloca, para uns duas escolhas, para outro apenas uma escolha, para mais outros varias escolhas. A natureza é justa nela mesma. Unicidade absoluta. E Perfeita. Somos a reverberação do que a Natureza faz dela mesma. 

Somos esses fósseis nascidos da grande confusão de vida. Da explosão ancestral primordial de nossos feitores da Natureza. Somos essa finíssima plicula de luz, esse incenso exalando e diluindo no espaço tempo, essa fumaça do fogo do monturo cósmico e de cada um de nós em si mesmo. Sou a luz que já se desfaz longe sútil do que já se acabou e nem existe mais. O eco da explosão, o feixe raro rápido de luz do ecnontro do sol e da lua num eclipse perfeito, da ovulação, do big bang, e de todo o universo que me fez membrana diáfana, transpassavel, movente, linha se granulando no espaço cósmico. 

Somos essa película fina, transparente e transpassável no universo. 

Somos as peles soltas, mortas, frágeis do big bang, as cinzas, a fumaça, a luz fugaz que se desfaz... eis a nossa escala no universo vista a olho nu. No entanto, se do ponto de vista do universo infinito somos o que já não somos, e se a Natureza permitir podemos, vir a ser depois de reciclados com alguma sorte depois de tornamo-no  resíduo para então queimarmos novamente no tempo e espaço.

Somos luz e fumaça que dançam sob a lama. Sou essa ponte de vazios e abismos, embaixo tudo é tempo. Dentro tudo é nada, vazio que se move.

Somos o fogo primordial do processo do fogo de montura do universo.

 Sou a grande explosão fragmentada há bilhões de anos. Corda última solta na esticadura do universo. Arrebentada tantas vezes, e, multiplicada, portanto, o mais big bang de todos: sempre e unicamente singular! 

Queimo, ardo dia e noite debaixo de lixo, resíduos humanos, animais fósseis, minerais e bilões de arvores e plantas, respiro o fosso dos vulcções do fundo do mar, abro buracos negros em mim, respiro. às bordas viro larva lava vulcanizo. Invizível, silenciosa, abafada, escura, funda, profunda, eterna, calorosa, lenta, lentamente no tempo cavo combusta, inadiável, densa, sempre viva, e_levo-me corpo como um incenso desse monturo da Vida cósmica e do Universo e que permanente queima debaixo desse chão cósmico e recíclável. Sou a fumaça que assenta poeira nas coisas. Cadáver posto como fina película sobre a Terra, e pulso no coração dos vivos. Terra, planeta Terra. E ainda me condensei e mergulhei sobre as rochas e me deitei mares oceanos . Água. Planeta àgua. E outra ainda sou aqui cerebro, nervos, céluas. Um a um em millhões mais. E, lembrem já não existimos. Somos vivos apenas, Na lembrança , no poder do agora de olhar pra trás de saber que viemos da ordem da Natureza. 

Eu sou o resultado do universo fecundado. Micocosmo de poeira de estrela pulsante, eu pequenao foco de monturo isolado e imperceptível no cosmos, o que somos. Meu coração se acendeu no útero da Natureza nuclear numa explosão cósmica. e continua sendo a cada pulsação, dia e noite até que vibre apensa no vazio dentro ainda menos, ainda menor, a unidade onde tudo ainda é outro universo.E, vamos queimando explodindo lentamente e ao longo do tempo como um  monturo, demoradamente subindo fumaça e pousando em alguma asa em alguma chama em alguma lama em alguma planta em alguma casa.

Olho para o fogo de uma lenha queimando, de uma fogueira , de uma vela, de uma estrela e lembro que participo do mesmo fogo de monturo e partilo do mesmo fogo que acendeu o Universo. E, eu sei que o proprio universo sente esse amor e esse susto de estar vivo ainda em mim. Sim, está sendo incrível a vida aqui. Não está facil não, umas quebradas pesadas, umas gangs, umas máfias de foder o juízo, mas tb com tanto big bang, só podia dar nisso né. Tb tem os os ratos, as cobras, os lagartos imensos, díficil nesse tempo moderno pq lugares lúgubres não faltam e adoecem a população em massa e não se sai dessa fase ancestral. Um submundo, um subeterrâneo, um subsolo sem fim, nem luz. Vou abrindo, mas tem vez a lama fica densa demais. O corpo capssula não aguenta, o avô ta cansado e a coluna vai se partindo, os pulmões nessas densidades escuras vamos prorrogando as cobras lagartos, a bicharada toda ainda em nós. Mas ainda estamos aqui. Fique sabendo. Mando cartas cósmicas escrita energia pura. fumaça e fogo que sobe e pensa e te vê universo inteiro infinito em mim alem de mim. Sinto peso por cá, então talvez não chegamos na parte onde poderemos ser somos apenas particulas de luz singulares viajantes no universo. Ainda parece somos o menor processo , o sútil reflexo de luz da gota desprendida de uma ponta de um ice berg de uma geleira glacial se dissipando nanonamente no espaço. 

Boa noite, pra você tamém! 

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, inverno de 2026.

(Em eclipse lunar. : lua cheia em Peixes - Virgem. Brasil).

A natureza das coisas em todas as coisas. 

 

 

  

domingo, 23 de agosto de 2026

[Anotações - Inverno de 2026]

1

Textos da Madrugada

[Amadrugadecer]

 

A cortina da noite de sábado ficou entre aberta a noite toda, havia fechado a porta do quarto as oito da noite. A janela ficou aberta pra entrar um ar. Fiz uma sopa rala de verdurinhas após as batidas do sino da igreja, tomei a sopa quente e adormeci. Sonhei. Às três horas da manhã, o silêncio me desperta com toque suave para ouvi-lo. Eu toda atenção doada ao íntimo de mim. Olhei aveludada nos olhos do escuro. E, o apaziguei no súbito vagaroso do corpo nu. Fui ao banheiro, bebi um copo de água e retornei à cama com mil idéias de sentir o diluir da madrugada em mim e de temperar o dia seguinte. 

E, lá fomos o silêncio e eu, abraçados envolvidos numa dança de alcova suburbuna , fizemos e fomos  os rejuntes do tempo.  

Uma luz branca entrava pela fresta da cortina que balançava ao tocar da leve brisa fria. Levantei-me e fechei a janela. Deitei e já eram cinco horas da manhã. Qaundo o silêncio levemnte começava a adormecer e sossegar em mim, ouvi la fora pássaros conversando em seus ninhos, o galo tardou a cantar e só abiu o bico as 5h, o escuro se demorou bastante em sua pintura celeste. Eu respirava o silêncio, toda imensidão me penetrava bem devagar num abraço, pálpebras semi acortinadas, pela manhãzinha, os pássaros tem um canto suave atapetado de ninho sobre meu ser. Adormeci. Entregue nos braços do instante. 

5h da manhã - domingo de inverno.

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, 23/08/2026. 

 

sábado, 22 de agosto de 2026

[anotações - inverno de 2026]

 O samba de chão exalta a vida nas gentes 

(e nos leva a voar pelos céus - a metafísica da raíz do samba?) 

A tarde chega, e o longo evento do almoço se estende, passa o moço das tardes doces e a buzina avisa que tem  cuzcuz, bolo, cocada... a moçada corre, se alvoroça , a tampa transparente do olhar das criaanças desclaças brilha o mel da  vida. a mão cheia de buzina agora entrega no papel branco o bom pedaço de cuzcuz branco na mão do menino que arregala ods olhos como se fosse comer de ver. Si, as crianças saõ comedores do ver. 

No andar de cima, ouço os passos corrediços e pululantes da criança que parece se divertir, o corre-corre na sola dos pés, do sangue nas veias da comunidade se revela em todos os cantos, cômodos, escadas, becos, ladeiras, curvas, vielas, casas à luz dos sentidos exaltados, alertas e as vezes despercebidos, Sorrateiros, Silenciosos. Escondidos, 

O cão late, a moto vive a passear pelas vias, são cotidianas rodas perdidas.

No fundo do quintal da casa ao lado a ex-mulher que ficou com a casa samba travesso , e samba por aqui é fundo musical e figura ao mesmo tempo atravessando no coração do sábado, e ouço alto e bom tom, o ex marido que veio pro churrasco e desabafando, braços erguidos, canta :

"Quero sorrir
E o meu sorriso não existe
Quero explodir
Essa vontade de viver
Quero chorar
Lágrimas de felicidade
Quero sonhar
Um amor de verdade"

(Os Travessos) 

 O som da vassouras rapsando o chão, gritos de crianças agora em divertimentos e risos.   A excitação do agora. O coração tem o viço da tarde. Pratos e talheres se chocam sem confronto, mas em hamronia e sossego. A consciÇência agora se aplaina, saciada a fome. A paz reina na casa. As discussões cessaram. 

 A maquita acelera o ritmo e corta o concreto samba que estrtura a comunidade de dia. Sempre uma obra sendo feita. Mãos à obra, mão que tocam... teclado, atiram, costuram, cozinham, cortam, bordam, batem tambor, que massageiam, quebram, jogam, mãos no barro é o que não falta aqui. 

(Não percebem que é só fome de corpo, de diálogo, de presença. De instintos saciados) O samaba reina agora e ence a casa transborda os muros, se po~em a cumprimentar das janelas e entram pelos portões o samba esse malandro lord que abraça a todos sem violência, só o lirismo poético como um homem de terno que atravessa a cidade vindo de terras além.  

Aqui, na comunidade, sábado é dia de babado, uma gralha grita e voa no céu cinza , úmido e frio de inverno ao som do pagode que canta "Ô Ô Ô, ÔÔÔ, o Ah! 

"O dia já raiou
Vou embora
Ah! O dia já raiou
Vou embora"

(Exalta Samba) 

 Rio de Janeiro, 22.08.2026;

[Anotações - inverno de 2026]

É terça , começo de semana de muito trabalho, é noite e a igreja berra batuca, os sons dissonantes e guturais altíssimos, baterias estourand...