[Escrituras dos sábados]
Abertura do outono para escrituras dos sábados
(Cidade dos Vales. 2026)
Estava no alto da ladeira, e tudo para traz eram escombros. Restos do passado desfeito. Morto. Lancei todas as sementes mais caras. E queimaram. Atearam fogo. Venenos de intrigas e maldições de fofocas (esta doença que amarga a boca e quebra o corpo de quem a pratica) intriga trinca a espinha dorsal das relações, como uma ladainha antiga de berço. Cruz credo. Muitas cruzes nesses gens cemiteriais. A cova ainda é rasa. E eu apenas ouço o silêncio dos mortos. Que tb lamentam pois que as gerações vivas ainda chafurdam uns nos umbigos dos outros.
A noite, o escuro, o distante, se revela no silêncio e no escondido.
Programar a cilada. Saber. Que destino!
Não tem como desver. Dessaber. Desouvir. Ah desvobrir o de dentro é mesmo um dissaboroso aroma das cinzas que tentam se levantar. .
Sábado é dia ! Sábado é serio. Como eu que não sou de brincadeira.
Aqui, no súbito da colina, do Alto do Cruzeiro, habito a Vila do Silêncio. Minha própria Narureza.
Alessandra Espinola
Rio de Janeiro, cidades dos vales, outono de 2026. Trazendo as folhas no vento.
RJ, 28.03.2026.
[Escrituras dos sábados]