terça-feira, 28 de julho de 2026

[ das anotações ]

Em referência à chacina da candelaria o banquete posto é o de nossa história que mata a infância a revelia. por puro prazer genocida. 

Diante do pórtico da igreja católica, se revela o pórtico da morte, do abandono , dos desprezo , da indigência, da negligência , dos sistemas apenas punitivos e prisionais, a violência sem limites contra  crianças e adolescentes de nossa sociedade, nós mesmos enquanto crianças abusadas maltratadas (todos nós em algumas instâncias) , se revela os pórticos para essa via crucis em familías,  pais que usam, traficam, abusam, usurpam, vendem, negociam, trocam por favores e coisas pequenas como objetos de desejo, prostituem os filhos e na maioria das vezes muito sutilmente atráves de suas relações, por trás de um cenário religioso, criminoso, empregatício, familiar, falacioso e vil.  Aos que se parecem normais, e dizem que amam e o que mais queriam na vida eram seus filhos são os que desconfiamos. Por baixo da noite, sinos em silêncio e velas apagadas,  o sacrificio é feito. A cidade/sociedade dorme. E sonha adoecida a base de drogas pesadas desde discursos imbecis de toda má sorte até pedras queimadas, passando por futebol, cultos, pregações, educação, mídias, redes sociais, carnavais, turbas.

A escola ainda consegue ou mais acertado na conjugação correta conseguia ser uma instituição que realmente salvava vidas - ciranças e adolescentes desse destino muito bem traçado por poder apodrecidos do poço social. Agora, mais parece um novo pórtico, entrada triunfal de um presidio, hospital psiquiátrico penitenciário. ou mesmo uma preparação escolástica para o tráfico não só de drogas, mas de si mesmo.

as nuances desse cenário são de prisão familiar, prisão escolar, prisão religiosa, prisão política, prisão mental, prisão sem grades que vão tomando fachadas comum das senzalas. a casa é grande e a história é longa e aqui só algumas anotações. sobre esse grande casarão , essa colônia penal e psiquiátrica que o grande brasil se tornou.

pense e lembre ali quando você estava na barriga da sua mãe, no ventre da sua mater, foi uma espécie de prisão, ou preparatório você atravessou o pórtico e agora... Agora a escola que deveria preparar para a vida em bom desenvolvimento, educação em sentido amplo  e humano sobretudo e, evitar justamente as cadeias e hospitais. mas vê (é só olhar a olho nu) e sente (é so cheirar e provar) a qualidade da água, da comida das escolas, é pra arrefecer ainda mais as rédeas corpóreas e mentais já na infância. tanto açúcar tanta gordura tanto carboidrato que desde sempre entope todo mundo, uma alimentção de vermes servidas às crianças são a mesma servidas aos soldados aos doentes, contaminação tá em dia que é direto pro leito de morte, outra instituição de dar enxurrada - o campo/território cemiterial. 

tuberculose, pneumonia, infecções fatais por bactérias de todos tipos, meningite. não saímos de rastejar o chão. nunca limpam o campo dos massacres, não limpam o campo de guerra. nem reestruturam essa engenharia toda.

por agora, as anotações encerram aqui, devo descer na próxima estação .

pensando provisioriamente títulos em andamento 

Da série [anotações]      ou    Da série : [o diário/diabo que anda comigo] o santo diabo, claro!

 

Alessandra Esspínola 

Rio de Janeiro, inverno de 2026 

 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

[Balaio de indigentes - 2026]

Balaio de indigentes da cidade carioca

Banquete de miséria nas calçadas da cidade maravilhosa reflete o chão da casa dos trabalhadores. 

A luz da lua ilumina junto com a luz do pôr do sol o reflexo e oposição entre público e privado. será?

Lá pela Candelária, ao sol se pondo, vento frio, os dormitantes da rua já enrolados em seus cobertores cinzas e com farpas metidos nas tramas, deitados em papelões como os do chão daqui de casa que pego no mercado aqui perto pra esquentar o rabo. E não rolar uma pneumonia, estas pragas do entorno, tuberculose familiar. Ando sendo um butatan de mim mesma, me transformando veneno em antídoto e investigando e limpando o campo.  Frio severo na cidade do sol. O vento gelado vinha por debaixo da ponte, úmido, nebuloso da baía. A patrulha pública veio buscar os pertences e não as pessoas - velhos jovens, adultos, o barbudo de pelos brancos magro custou a levantar, os carros chegaram e subiram na calçada, sairam da patame um grupo de servidores uniformizados e educadamente fizeram levantar os mendigos e tirar tudo do cão, colocaram no carro, e alguns levaram em sacos os cobertores debaixo do braço ou arrastando pelas ruas. foram sumindo aos poucos, a avenida ficou limpa, vazia, enquanto os moradores da rua se espalharam por outras vielas. É eleição este ano, muitos turistas pela cidade. Em frente, o mar, a baía, os museus de arte, a marinha, o antigo banco do brasil, a igreja da candelária confundida com o museu da chacina da calendária e a cena cravejada dos meninos assassinados, nem sombra deles na memória-história da cidade, isso foi em 25 de julho de 1993, 1h da manhã mais ou menos, fez 33 anos, os anjos não dormem, saíam pessoas de dentro da igreja com girassol nas mãos, havia um outro evento, desejei que as flores fossem pros jovens mortos. dia 23 foi instituido dia nacional de enfrentamento à situação de rua de crianças e adolescentes, mas cada vez mais a infância e adolescência está na rua,  a fila de trabalhadores crescendo para subir no ônibus, a lua no céu cheia tranbordando como um holofote no coletivo, e "a piscina cheia de ratos..."

A vida em decomposição a céu aberto. Não há botox pra existência, não há medicina pro abandono existencial, não! não há remédio para vida. Não há cura de ter nascido! Ninguém se recupera disso.

 Alessandra Espínola

Cidade Maravilhosa, Candelária, inverno de 2026. 

[Revisitação de texto de 2018]

 São cantos sísmicos vindos do mar. 

Areia se levanta movediça numa cartilagem lenta.

O barro ressacado em fósseis. Nem uma cantiga faz ninar. 

Insônia a cratera do crânio como um oco do corpo a balançar. 

Não há berço esplêndido pra gente grande. Cova a seu aberto.

Pario duro ser pária na história. Escória. restos mortais de me parir de pé. 

Escolha é quase escola. Sempre disseramna ortografia que H não serve pra nada. 

Quero ver no hora! Na bomba! Relógio... Cantiga é quase castiga! Que a cuca vai pegar.

O boi tá coa a cara feia. Cuca tá coa corda toda. toada de boi vindo, com os de fome.

Temos fomes também e já ninguém sabe se sorrimos ou rosnamos. 

A vida é puta nós somos seus clientes. Nos emputecemos todos.

(viramos sum bando de arromabdos, isso sim, arromabam nossos cofres, nossos fundos de oceano e os caraleos) 

Pagamos caro e nem deu tempo de fazer tudo o que eu queria. Gozar ainda é pouco. 

Isso tem tempo contado. Você reacendeu à vela e navegamos em alto mar, e aqui me chegou uma tremente luz no corredor do túnel. Nossas velas acesas. 

Tateio o barro ainda. Numa primitividade de ainda nada entender. O barro no forno ainda da olaria.  

Sovado pelas mãos do tempo. Aguardamos em exercício de escrita e escuta.

Contemos com o quê!? Não há com quem contar. Mas contemos dessas navegações. 

Os mapas, os gráficos indicam mais caminho a frente. sigamos, pois! 

__________ 

Hoje o silêncio anda me subtraindo. como quando modelo a argila nua.

RJ, fevereiro de 2018. 

 Alessandra Espínola

Texto revisitado no inverno de 2026.

domingo, 26 de julho de 2026

[fragmentos de inverno . 2026]

" Os senhores, por favor, não fiquem indignados.

   Pois todos nós, precisamos de ajuda, coitados"

Bertolt Brecht

Ah, pois é, estar à beira de um penhasco, à noite alta, sem nem enxergar o tamanho do absimo que se está a frente e senti-lo, a vacuidade imensa como um infinito buraco negro que se nos coloca pé ante pé, esse desamparo da existência, esse vazio caminhante que nos percorre a planata dos pés mesmo parados, plantados na fixidez, mesmo estagnados na ilusão de que temos onde recostar a cabeça, zonza de toxicidade mista, a vertigem de viver já basta o alucinógeno imperativo da existência e todas as aventuras  e miérias humanas. uma fábrica indizível de produção, suor, paixões, dores, tempo, mutilaçãoes e nascimentos a revelia dos atos impensados ou tão pensados baseados numa fé, numa espécie de esperança romântica, e portanto desastrosa. A guerra se prepara dentro dos homens espalhados pelo mundo e dentro de cada sala atrás de uma escrivaninha. Enquanto, uma multidão em fila se aquece no inverno rigoroso e não consegue pensar em outra coisa senão comer, trepar, cagar, consumir, gozar (quiçá), sugar (o ar sufocante, a teta seca de todos os estados, a garrafa de fumaça opiante, estamos craques em perder e fazer merda da pouca vida nos é dada. não , não que seja pouca vida nem tão pouco tempo assim, é essa desgraça de condição humana infernal em que estamos metidos, revirar lixo e ossaturas deixadas no litorial da vida já ressequida em busca de algo que fermente. em busca de qualquer sinal de vida. andamos por aí feitos penadas almas. 

Estamos desamparados, e ao mesmo tempo ninguém está só. amontoados em... você pode completar a frase, leitor querido. não vai faltar preenchimento de lacunas. como pilhas de apartamentos de um edíficio mal edificado que aos poucos vai ruindo.

Caminho sem parar e, no alto da montanha a sensação da altura e fundura me tomam em uma borda do ser e em redemoinho penetra o corpo e o peito, me deparo, dna's lançados num liquidificador, reator elétrico inviizível, o ar rarefeito quase fora da atmosfera e há penhasco dificil de ver. o abandono e o desamparao existencial se apresenta imponente. ainda não há a ponte para a outra borda do penahsco da montanha. O vale infinito se estende como um tapete de tempo espaço e distância. Esperar e caminhar devagar como quem planta sementes, sabendo que não se vai colher. a posteridade se incumbe, como os nomes que hão de ser dados herdados. A dor se reflete no espaço abissal à frente, o vento traz o preenchimento do que somos - nada. poeira e aparecimento do contato com umidade e a luz. 

Aqui abro um parentenses (...) o que somos nada, poeira e aparecimento do contato com a luz e umidade. 

(parece que somos sonho acontecendo do futuro . um filme que já foi gravado. parece que somos uma história contada do que já existimos. coisas nas quais apenas atravessamos, como se tudo e todos ja estivessemos mortos. tal qual estrelas que ja morreram e apenas a luz é que viaja durante o infinito que não dura pra sempre. só esse que escreve à minha mão que me pega mão e a tudo observa sente percebe junta e faz pensar. 

parece que alguem numa sala de uma casa conta -nos a história mil vezes contada recontada retorcida acoplada de nós que já não existimos mais. estamos na parede da sala naquele retrato antigo tirado por fotografos amabulantes que iam bater na porta das casas sem saber os nomes desses historiadores de gentes comuns que percorriam os subúrbios do Rio, em busca de seres que permaneceriam barro pra sempre, 

Até que no encontro da luz com poeira de nós e um pouco de umidade das chuvas apareceríamos e nos tornariamos gente.) 

na beira do abismo montanhoso, a dor sublime de existir fere profundamente o ser, dilacera e no pico mais alto vertiginoso, num piscar de olhos zonzo uma mão toca suavemnte a minha e a voz dessa mão me chama de volta: vem vamos, voltar.  e, quem sabe, o mais provável refazer ou descobrir outro caminho.

então, contorno meu horizonte de cores, como uma mulher que se veste com vestido colorido "cores que naõ sei o nome, cores de almodovar, cores de frida kalo" e pelo mundo vai dando as mãos. e caminha.

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, inverno de 2026 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

[Cartas a M. - Julho de 2026]

cartas a M. 

 é dito que a gente sempre só vai mostrar o nosso lado bom, bonito. mas tem que eu tenho só esse lado maciço, inteiriço de, um lado só com bordas , beiras são para amparar quem mergulha. um lado só, não é bom nem mau, mas rudimentar,  estado bruto, cru, nu, primitivo. 

não á nada mais arriscado e aventureiro que o encontro com o outro, que a viagem ao cntro do mundo do outro, é um perder-se pra se encontrar, eu só nasço na ralação (relação) com esse outro. medo, amor, raiva, melodia, nascer é receber a divindade do instante ato de abrir-se. 

a vida sempre me pareceu cruel e no contradito gangorrar de repente é possível se divertir a sós, numa leitura cômica por exemplo, de nikolai gogol e anton tcheckhov .

tomo café, me encharco de água (viva), vinho se tiver, barato pois é o que dá pro momento, mais água.

 me anseio, de saber mais, a inusitada viagem ao mundo do outro, esse que tanto me fala, me revela.

me folheia, ainda sem saber bem quem sou. como funcionamos. ora funcionamos no mesmo modo que os cães quando correm atrás do próprio rabo e giramos veloz tonteagudos no mesmo vazio.

 corremos nesse cilindro  cósmico. atemporal. 

fermentamos o mangue em direção ao mar. tomamos esse espaço movediço, desforme, impossivel de margear. somos essa montanha de subsolo.

 

 Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, inverno de 2026. 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

(aos que nasceram na lua nova)

1-

abrir o fosso

sem medo

ver a lua na poça

 

luz difusa freme 

no raro instante 

em que nasce 

 

lua corta o céu

já não sangra

o seco coração 

 

trabalho de inverno

a todo vapor na oficina

desgrudar as sementes do sabugo

 

na lua nova abrir as sementes,

na carne do ovário

: lua latente

 

Alessandra Espínola 

:(aos que nasceram na lua nova)

Rio d e Janeiro, inverno de 2026 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Fragmentos - pedaços de barro

barro sovado e dessorado de milhões de anos luz, 

massageio ainda um pouco mais aqui em minhas mãos, ainda desforme,

elaborar - sentir as pedras, as farpas, o ferro, a concha espatifada em farelo

absorver e doar-me ao barro

como quando morri tantas vezes e me dei à terra

entregueie-me no rio do tempo em mergulho de uma só vez

transmiti informações de mim de mil vidas experienciadas

e levo comigo em constante mutação o passado ancestral genealógico e antológico 

correndo para o mar, entre margens 

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modelo o barro cru cor de terra caqui pele ocre , cravo canela e leite

o cheiro subindo pelas narinas

algo brinca dentro de mim e sorri

a língua se torna meus dedos alisando o barro modelando corpo forma de ser outra coisa

eis a causa de todos os vasos e peças e vulvas divinas

corpo de ventre e caos

de chifre e lua

vida é essa mistura de poeiras até parir estrela

 

Alessandra Espínola

Rio, bairro da olaria antiga, da grande pedra, 2026.

(Inverno , entre tempo de olaria-penha, 2026)

[ das anotações ]

Em referência à chacina da candelaria o banquete posto é o de nossa história que mata a infância a revelia. por puro prazer genocida.  Diant...