É terça , começo de semana de muito trabalho, é noite e a igreja berra batuca, os sons dissonantes e guturais altíssimos, baterias estourando o ares, um teclado em som de guitarra em ritmo repetitivo incessante, a garganta da mulher grita rouca, as paredes treme igual ao funk pancadão de cima as paredes vão cair - penso eu. um tremor de objetos. O inferno constituído. Após as chuvas e já noite tarde a Natureza em sua perfeição "pensa" que vai se equeilibrar e se harmonizar em sons - silêncio - e formas Belas de ser. Não vem a anta monstruosa do ser humano que intenciona o onferno, o caos e aí a enxurrada de doenças de todos os tipos e desequelibrios fisicos e metafísicos. A criança que não pára de chorar a noite toda e grita, gutura também, autista não verbal. a outra criança também chora inintetrruptamente. o arrast-arrasta nas casas , o barulho no teto. O entregador gritando horas a fio a noite adentro "Farmáciaaaa!!! , Farmáciaaaa!!!! Farmáciaaaaaaaaa!!! Ele berra infinitas vezes cada vez mais alto, bate com força no portão, os estrondos atingem os fundos, ninguém atende. Ninguém responde. O portão ressoa aos berros e socos. A igreja vai ao extremo em sua histéria e poluição sonora forma banda com o grosseiro, desarmonico e violento batidão do tráfico.. Tiros e fogos se mesclam na zoada sombria. O colpaso e caos do inferno está posto. A terra em seu estado receptivo reage, claro, eterna e imortal. Se agita em cada átomo e sabe -se lá vai formando o quê em cada corpo. Meu deus, não permita que eu diga!
E segue o baile - como diz a garotada- a lixadarada no corredor, os restos de consumo na calçada atropelando as gentes, o mar de lixo na rua, os ratos zanzando. O cheiro insuportável de cigarro que toma todo o beco. A cena é surreal. Duas motos passam com homens de fuzil na garupa. Logo em seguida, dois carros potentes cheios de homens com armas incríveis (potentes), novas, pretas, prateadas e douradas. um primor metálico. A igreja louva mais alto em som desarmônicos e de baixa construção musical e baixa vibração, não tem pausa, Não tem harmonia. Não tem fim um troço desse. O ronco das motos fazem coro. Alta noite. O avião passa e se junta ao estrondos nos ouvidos, nas paredes, nos objetos que vibram na confusão e na violência dos sons, a luz parca, escuridão pesada, luz carregada de pressão, densa, substancial, não se move, pisca querendo faltar. o cachorro late até cansar, não cansa, late no meio , no começo e late sem fim. Os carros enconstados e abandonados velhos, apodrecem em fileiras na rua diante da igreja, das casas, amontoam-se e ocupam espaço se misturando à escuridão fétida e caótica. Os homens bem armados viram a rua numérica e sobem. Alguns vizinhos pelos cantos. Nas sombras escuras. Ao vento, a folha de zinco range estridente. Portões são fechados com violência, portas que não fecham são batidas até o teto e o chão vibrar. O sufocamento dos ares na favela, a pressão atmosferica pesando e pressionando, o encurtmento do ar e do espaço. Luz, som, câmara (comprimida), ação. Dá-lhe empurrão nas massas! Segura! Apreta! Aflige! excita! Agita! Desordena! Extermina! Retroalimenta as massas! dá-lhe ração nas massas! Tapa a luz do Sol, tira água, tira luz, põe barulho, põe cores amontadas cega a visão turva de luzes fumaça e meio neon tum-tum, zique-zaque, repete tudo, mais lixo, lixo aparece, violência, caos, confusão, desarmonia, comando, familia em degradadação começando pela porra da que sai no `"à jato" da ejaculação do cara que trepa no muro sebendito (sebento) da parede da igreja que grita, do lado de fora não goza fora, a mulher de saia levantada, uma perna segura em pé e a outra o homem segura até soltar e logo fechar o zíper. os ratos passam perto, o homem olha os ratos. E mole, não sacode mais o corpo da mulher na parede. A saia longa escorre até o chão. ela ajeita a alca da bolsa no ombro pega o livro fechado no chão segura passa mao limpando e aperta contra o peito. Ele se apressa na frente no ritmo de marcha, ela meio perdida procurando testemunhas, olha em volta e o segue. Ele passa a mão na boca como se tivesse comido uma coxa de galinha gordurosa, passa mão pela cabeça e anda rápido recuperando agressividade de fuga, novamente. A culpa deve ser a sombra que os perseguem, eles olham pra trás e continuam, não voltam pra igreja que continua berrando. o cachorro cheira o casal e vai atrás, o homem o espanta. Virão a esquina ao longe, a franja da saia dá a_deus, e somem no última curva da noite. E o cheiro de podre exala.
E la nave vá!
Outro avião vai pousar, cumpre sua rota em direção a baía da guanabara. O bico mira a pista de pouso. Flaps acionados. Céu chuvoso. Alerta de defesa civil mais cedo. Ventos e chuvas fortes. Do barulho também muito forte: Alerta aqui de defesa sonora, fisica, química, territorial. Humana. Amanhã, já cedo, veremos o resultado disso. E, ao longo do tempo já estamos vendo e vivendo. Imagina a grávida. E seu feto na barriga. Se treme as vidraças as janelas as paredes a rocha aqui . Que dirá a gua na.barriga onde o bebé fica e o que acontece com esse filhote no ventre. Cruz credo! Que vida desgraçadas vieram e tem.vindo aos montes feito.ratos do bueiro. Caraleo! E o primor da bestialidade da vida. E o que comem!!?!? Ara, já a noite vai tarde. E ador escala os tijolos das paredes... Amanhã em anotações, na crônica do dia falo do cardápio que é ofertado e consumido.
E quem come o quê. Vai se empurrando goela abaixo das massas.
Escreverei amanhã da culinária típica daqui. Se eu tiver paciência.
Os destroços e restolhos amontoados girando no caos da estupidez humana. Em sendo humanos. O subúrbio - a parte misturada girando no ciclone. Alta velocidade de particulas de gentes, manipulável por outrem, infelizmente. O submundo das cidades.
O fim não começa. O caos não termina. Delírio que se materializou na multidão do subúrbio - nas comunidades do subúrbio - a cidade se decompõe - uma nova geografia se aprofunda, como um interminável buraco negro.
Amanhã tem mais, se deus quiser!
[etnografia do cotidiano . Alessandra ESpínola. 2026]
Rio, 01/09/2026