quinta-feira, 1 de outubro de 2026

[Rascunhos. Inverno de 2026]

Ando com essa angústia no peito desde que minha coluna travou na semana passada. Mal consigo respirar. Tudo dói. 

Ando tão cansada que chego a ficar triste. 

Amanhã espero estar melhor. Um dia e depois outro. Tudo passa. Tudo vai dando seu jeito. De se acabar mesmo. 

Durmo, num cochilo que me arrasta. Incontrolável. Meus olhos pesam na areia do tempo. E gira a órbita da ampulheta. 

Alessandra Espínola 

Rio, inverno de 2026 

[Rascunhos - Inverno de 2026] hoje


Visitar as entranhas do inferno, vivê-las, transitar como quem anda da cozinha para sala. co'a intimidade de quem levanta da cama e vai ao banheiro de porta aberta. território intimo e coletivo, absorvência existencial, substrato humano tão nosso, substancial fóssil, geologia uteral, sementes do fosso, toda essa gente nascida do caos, dos undergrouds, da dissolução total de qualquer possibilidade e esperança, becos sem saída. buracos sem fim. túnel sem luz: atravessei como que acautelada - na tentativa tátil e vertebral, , em mim contém o silêncio e o fim, o vazio e o vão. ser de chão e céu, composição genealogica débil, decomposta e desintegrada dos tempos. Reconstrir-se na abertura das novas estações. Crescer a piso de montanhas, levntar pesos sob pedras, enraizar no que é, própria, indissociável, singlar, única. Suportar os ventos absurdos, fruttificar robusta no abandono do visivel e na audáci da solidão. Do isolamento como quem pinça cada cílios, quem datilografa e fotografa em cada piscar de pálpebra , cada tempo atravessado no infinito. Reestruturo as vertébras e a engenharia dos gens. Costuro a roupa dos átomos. Reedito movo estilo de vestimenta. Teço e desteço e teço longo bordado da vida, na trama invisível da vida, do corpo, do ser do mundo. Reconecto os fios eletrônicos da matéria, da medula, das vértebras, transito pelo sangue da humanidade. no silêncio, impulsiono a vida em novos lumes de Sol. Agulha que penetra na veia e costuro a trama - do destino - dos átomos. Transito e habito o vazio fronteiriço dos átomos. Ser ponte e passo Repavimentar a travessia. Da entranha ao córtex.

Rio de Janeiro, bairro de Olaria, inverno de agosto e setembro de 2026.

Alessandra Espinola 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Oração [Inverno de 2026]


Oração ao Caminho

(para o coração das Estrelas)

 

abro os olhos e vejo - Universo que sou  

 

Caminho sobre as nuvens

água plantada nos corpos 

navego nos ventres 

 

Caminho sobre o solo

corpo descalço

sinto as pedras em ser pedra 

pétala poeira asa

 

Caminho sobre o musgo  

aberto corpo ao tempo 

sépia lesma fungo

 

Caminho sobre o tempo 

réptil na travessia à supefície 

ando sobre cauda, equilibro-me no agora

chão-pulmão oceânico vulcão que me ondula

e ossifica 

 

Como é dificil ser bípede! 

(me ajude, tripa ambulante!) 

 

Caminho sobre a terra 

navego nos ventres

abro-me ao instante, doloroso do corpo,  

fluo desimpedida: agora respiro 

 

Caminho sobre mim

ventre imponderável 

fósseis da existência 

 

Caminho sobre o Fim

decomponho-me do tear e destear do Caos 

voo sobre as esferas de Gás

viajo na porosidade do Cosmos

para o Coração das Estrelas

 

Alessandra Espínola da Conceição 

Rio, setembro de 2026 

 

domingo, 6 de setembro de 2026

[Rascunhos- inverno de 2026]


[O vento surge ao longe...] 

O vento surge longe, na super fina borda do horizonte, como um olhar que se levanta e me olha, profundamente. Vem na demora da distância, mas logo se  revela corredor veloz: transforma-se em boto fênix, onda raio, fogo fátuo,  corpulência do oceano.Chega envolvente, sensual, me abraça pelo gozo da chegança e força do encontro, novos m_ares — me poliniza toda, numa dança etérea, entregue, passageira e se desfaz, seca, silenciosa e crua. 

Alessandra Espínola 

Rio, 05/069/26 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

[Rascunhos - inverno de 2026]



É terça , começo de semana de muito trabalho, é noite e a igreja berra bate batucada disritmica, os sons dissonantes e guturais altíssimos, baterias estourando o ares, um teclado em som de guitarra em ritmo repetitivo incessante, a garganta da mulher grita rouca, as paredes treme igual ao funk pancadão de cima as paredes vão cair - penso eu. um tremor de objetos. O inferno constituído. Após as chuvas e já noite tarde a Natureza em sua perfeição "pensa" que vai se equeilibrar e se harmonizar em sons - silêncio - e formas Belas de ser. Não vem a anta monstruosa do ser humano que intenciona o onferno, o caos e aí a enxurrada de doenças de todos os tipos e desequelibrios fisicos e metafísicos. A criança que não pára de chorar a noite toda e grita, gutura também, autista não verbal. a outra criança também chora inintetrruptamente. o arrast-arrasta nas casas , o barulho no teto. O entregador gritando horas a fio a noite adentro "Farmáciaaaa!!! , Farmáciaaaa!!!! Farmáciaaaaaaaaa!!! Ele berra infinitas vezes cada vez mais alto, bate com força no portão, os estrondos atingem os fundos, ninguém atende. Ninguém responde. O portão ressoa aos berros e socos. A igreja vai ao extremo em sua histéria e poluição sonora forma banda com o grosseiro, desarmonico e violento batidão do tráfico.. Tiros e fogos se mesclam na zoada sombria. O colpaso e caos do inferno está posto. A terra em seu estado receptivo reage, claro, eterna e imortal. Se agita em cada átomo e sabe -se lá vai formando o quê em cada corpo. Meu deus, não permita que eu diga! 

E segue o baile - como diz a garotada- a lixadarada no corredor, os restos de consumo na calçada atropelando as gentes, o mar de lixo na rua, os ratos zanzando. O cheiro insuportável de cigarro que toma todo o beco. A cena é surreal. Duas motos passam com homens de fuzil na garupa. Logo em seguida, dois carros potentes cheios de homens com armas incríveis (potentes), novas, pretas, prateadas e douradas. um primor metálico. A igreja louva mais alto em som desarmônicos e de baixa construção musical e baixa vibração, não tem pausa, Não tem harmonia. Não tem fim um troço desse. O ronco das motos fazem coro. Alta noite. O avião passa e se junta ao estrondos nos ouvidos, nas paredes, nos objetos que vibram na confusão e na violência dos sons, a luz parca, escuridão pesada, luz carregada de pressão, densa, substancial, não se move, pisca querendo faltar. o cachorro late até cansar, não cansa, late no meio , no começo e late sem fim. Os carros enconstados e abandonados velhos, apodrecem em fileiras na rua diante da igreja, das casas, amontoam-se e ocupam espaço se misturando à escuridão fétida e caótica. Os homens bem armados viram a rua numérica e sobem. Alguns vizinhos pelos cantos. Nas sombras escuras. Ao vento, a folha de zinco range estridente. Portões são fechados com violência, portas que não fecham são batidas até o teto e o chão vibrar. O sufocamento dos ares na favela, a pressão atmosferica pesando e pressionando, o encurtmento do ar e do espaço. Luz, som, câmara (comprimida), ação. Dá-lhe empurrão nas massas! Segura! Apreta! Aflige! excita! Agita! Desordena! Extermina! Retroalimenta as massas! dá-lhe ração nas massas! Tapa a luz do Sol, tira água, tira luz, põe barulho, põe cores amontadas cega a visão turva de luzes fumaça e meio neon tum-tum, zique-zaque, repete tudo, mais lixo, lixo aparece, violência, caos, confusão, desarmonia, comando, familia em degradadação começando pela porra da que sai no `"à jato" da ejaculação do cara que trepa no muro sebendito (sebento) da parede da igreja que grita, do lado de fora não goza fora, a mulher de saia levantada, uma perna segura em pé e a outra o homem segura até soltar e logo fechar o zíper. os ratos passam perto, o homem olha os ratos. E mole, não sacode mais o corpo da mulher na parede. A saia longa escorre até o chão. ela ajeita a alca da bolsa no ombro pega o livro fechado no chão segura passa mao limpando e aperta contra o peito. Ele se apressa  na frente no ritmo de marcha, ela meio perdida procurando testemunhas, olha em volta e o segue. Ele passa a mão na boca como se tivesse comido uma coxa de galinha gordurosa, passa mão pela cabeça e anda rápido recuperando agressividade de fuga, novamente. A culpa deve ser a sombra que os perseguem, eles olham pra trás e continuam, não voltam pra igreja que continua berrando. o cachorro cheira o casal e vai atrás, o homem o espanta. Virão a esquina ao longe, a franja da saia dá a_deus, e somem no última curva da noite.  E o cheiro de podre exala.

E la nave vá! 

Outro avião vai pousar, cumpre sua rota em direção a baía da guanabara. O bico mira a pista de pouso. Flaps acionados. Céu chuvoso. Alerta de defesa civil mais cedo. Ventos e chuvas fortes. Do barulho também muito forte: Alerta aqui de defesa sonora, fisica, química, territorial. Humana.  Amanhã, já cedo, veremos o resultado disso. E, ao longo do tempo já estamos vendo e vivendo. Imagina a grávida. E seu feto na barriga. Se treme as vidraças as janelas as paredes a rocha aqui . Que dirá a gua na.barriga onde o bebé fica e o que acontece com esse filhote no ventre. Cruz credo! Que vida desgraçadas vieram e tem.vindo aos montes feito.ratos do bueiro. Caraleo! E o primor da bestialidade da vida. E o que comem!!?!? Ara, já a noite vai tarde. E ador escala os tijolos das paredes... Amanhã em anotações, na crônica do dia falo do cardápio que é ofertado e consumido.

E quem come o quê. Vai se empurrando goela abaixo das massas. 

Escreverei amanhã da culinária típica daqui. Se eu tiver paciência.

Os destroços e restolhos amontoados girando no caos da estupidez humana. Em sendo humanos. O subúrbio - a parte misturada girando no ciclone. Alta velocidade de particulas de gentes, manipulável por outrem, infelizmente. O submundo das cidades. 

O fim não começa. O caos não termina. Delírio que se materializou na multidão do subúrbio - nas comunidades do subúrbio - a cidade se decompõe - uma nova geografia se aprofunda, como um interminável buraco negro. 

Amanhã tem mais, se deus quiser!  


 [etnografia do cotidiano . Alessandra ESpínola. 2026]

Rio, 01/09/2026 

 

 

[Rascunhos- invervo de 2026]

A vida é um moinho

moinho de gente:
 
há 12 anos atrás teve um ventania forte no Rio. vão se passando os anos e ciclos da natureza micro e macro. e os acontecimentos e feitos e colheitas vão se apresentando no palco do mundo e da vida. de novo e de novo em novas páginas e calendários, o que fazer com o impoderável? respiro e sorrio ..., vida um escárnio, uma viagem de redemoinho, um jatinho de ciclone e nos leva pra longe, bem longe.... longa viagem cujas estações são bem curtinhas e por isso a sensação de passar rápido.... vento forte, fogo fátuo, água barro e vapor, como disse meu amigo bombeiro : "o monstro que estava dormindo está despertando" ou "a gente está acordando o monstro que dormia"
que a vida seja leve com novos ares, novos respiros, novos ventos 

mas há 10 anos também, a roda do tempo gira e nos colocamos em lugar espaço-tempo-situações que vamos olhando como uma paisagem em cena no palco, ação!
 
Alessandra Espínola
Rio de Janeiro, 07 de agosto de 2026
 

[Rascunhos - inverno de 2026]

O caminho da escuridão e da luz. do corpo nu e do não corpo a olho nu. 

O caminho do SER

O êxtase me acompanha em cada detalhe, nas cotidianidades, nas zonas noturnas - do tempo-,  do trânsito da vida, nos subterrâneos de mim, nas zonas impenetráveis de meu ser, no fogo de monturo, na zona longíqua da lua, no solo e no subsolo de que sou feita e habita em mim, na gosma que sai da lesma e caminha sinuosa lenta pela parede do muro da casa.

Reencontrei no corredor, depois que passei portão adentro, o brilho deixado no caminho como uma trilha de diamantes e me enchi de êxtase, de uma surpesa alegre e molhada, de um gozo, de uma contração lúgubre, eu amolecida e pasma. Os cantos úmidos do corredor da vila, a luz acesa me esperando chegar tarde da noite, uma lesmona gosmando meu tempo. Memória e sensação. lento movimento do cuidado.  

Abri a porta, e estou em casa. Meu privilegiado jeito de existir. É morrer para o mundo - "lá fora". Dormir. Repousar. Decantar. Desagrupar.  E viver, renascendo, para mim vida dentro - no quartz da Hora ou da Hera, no quarto quazar pulsante entre o ser e a possibilidades de vir a ser.

É noite. E a luz não extingue, ela repousa, se aninha, no núcleo sanguíneo de mim, no coração do indizivel e do inominável e do imutável Ser - e perfeito por ser tão multiplo, livre, imortal e infinito. Nada há que se temer a noite, nem o dia, nem as horas escuras dos meses em que a noite dura e cala e observa a zilhões de anos luz dentro da lentidão da lesma. 

Boa Noite, para você também!  

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, inverno de 2026.


[Rascunhos. Inverno de 2026]

Ando com essa angústia no peito desde que minha coluna travou na semana passada. Mal consigo respirar. Tudo dói.  Ando tão cansada que chego...