sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ao cair da tarde

Ao cair da tarde no terreno da casa velha as frutas mais que macias de tempo caiam aos montes e esparramavam-se no chão como sorrisos largos na face. Eu caía muitas vezes ao cair da tarde, correndo. Caíam folhas da goiabeira e caíam alguns sonhos cansados de serem peso na luz que vela. Caíam as cinzas do fumo do pai ainda em brasa no meu peito e as pálpebras cansadas de delírio da criança no quintal da casa velha. A vó caía de sono na sua cama de colchas desfiadas e caía um último  olhar de sol pelo vasculhante de seu quarto. No sofá da sala caíam de rir as filhas com seus cochichos aéreos. Ao cair da tarde caía a friagem, o sereno e a cortina rosa-amarelo-fogo do céu que até hoje ainda arde, caíam as crianças jogando bola na rua e se enrunhavam todas e caíam os dentes da boca, caía a bola no quintal de homens vazios, espinhentos meu deus! eles esvaziavam a bola à mão como agulhas enferrujadas. Caíam os vasos de flores da mureta do jardim da mãe e as cores caíam e sobre as flores as tenras terras roxas... caíam os velhos xaxins e as folhas secas que não mais se seguravam, as uvas já passadas da parreira do canteiro no quintal não passavam do chão... caía a luz do poste e o sol à mingua como uma língua miúda dando adeus. Agora cai minha face de flor murcha e minha pele de enrugada romã na fruteira herdada da avó a espera de uma garganta febril. Caíam tranqüilos fios de cabelo cor de chumbo-prata e que descansavam sobre a almofada e caiam as unhas dos moleques que jogavam bola descalços na rua da ladeira, caíam as vozes em burburinho agudos em minha cabeça que rolava na prévia escuridão, caíam as cigarras depois de berrarem nos galhos, nos telhados assim como as mães são aos berros com seus filhos pouquinho antes da escuridão da noite... caíam rios de raios das tempestades de verão, e depois o silêncio na casa... partia.  Caíam os panos dos espelhos e todos os reflexos transpassados, caíam muros distantes do outro lado do mundo e caíam cercas  de cercar  mudas de plantas, caíam as bocas de mães mudas que eram mudas de velhas índias-escravas em fundo de quintais e cozinhas... e mucamas nas camas de alguns, meu deus!   como galinhas que ciscavam restos de vida... caíam dos peitos da tarde alguma coragem de não ser mais, caíam o prédio, o teto, o tédio e o (meu) mundo caía várias vezes ainda em construção e na fervura de orações eu arrebentava os terços delicados e rosários de contas sem conta, arrebentava no ímpeto do desejo da noite e caíam em queda d'água da tarde todas as pérolas cristalinas no chão e algumas escorriam até o pé da mãe, e caíam a tarde dos olhos da mãe, e caíam as mãos como lenços cobrindo rostos de seus filhos no chão, das madres encucadas caíam grossas lágrimas dentro de um copo com água e silêncio que o pai bebia, todo dia na hora da ave-maria às seis horas da tarde caía o último fio de lume-lâmina e voz atravessando o ar empoeirado da memória.

8 comentários:

  1. traço entre o espelho e as palavras
    um crepúsculo de fibras esgarçadas
    neste corredor de fantamas

    noturnos tornozelos: - o eterno corpo -
    adornado de diamantes dentro
    entre o retorno da dor em sopro

    não o fogaréu exposto do inferno
    mas o resíduo da coisa fátua
    esta que sobrevive ao incerto

    sentir o odor do estendido osso
    acusado depois da perda abrupta
    já por medo a agonia do dorso

    - sob o castigo do açoite extremo -

    tudo se foi - tempos dorsos troncos
    retorcendo eternos olhos d'água

    teu arpão farpas de seda doem-me as espáduas
    o retorno dos tornozelos em fuga
    os sabres sobre as rugas do teu céu líquido

    por trás dos ombros - os olhos - ocos de argila -

    sabemos a agonia dos ossos
    e a dobra das ondas os irados sentidos
    e a sina dos corvos

    não poupamos elogios à loucura dos gênios
    nem a nódoa sobre o mundo nos envolve
    em mudas sílabas:

    - os poetas sabem das palavras
    nós sabemos dos poemas

    ouvir o cálido nervo no céu calêndula
    ver o abutre olho rasgar o osso amêndoa

    a trama do verde entre a rede e a varanda
    o vurmo do ventre sobre a espuma e a pedra

    primavera de trevas
    e líricos cristais de ouro-luz

    o que se descortina além de gravuras ?

    são os dias que se vão
    e essa noturna armadilha
    irrompendo densa (n)a tarde breve e vária:

    dançam as estrelas como se o silêncio
    conspirasse improvisos contra a solidão do céu...

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  2. sem volta pra lugar nenhum
    só revolta o ventila
    dor do teto em meu rosto
    que desgosto passou
    um trem das onze passou
    um rio em minha vida
    de janeiro à agosto
    do mar vermelho a finisterra do fogo
    onde a américa inicia e termina
    meu so(h)no no meu soho
    na tribeca são quatro horas da madruga
    e minhas rugas estão acordadas
    enquanto minha mulher
    de olhos bem fechados so
    sonha aguardando o dia amanhecer
    o sol tecer fios dourados de ovos
    à beira do riacho

    dentre flores e espinhos
    dentre narcisos tulipas lírios
    no céu flutua uma pipa
    no chão rasteja um rio de formigas
    minhas amigas cigarras de aço
    esvoaçam perdidas
    sobre a pedra da ponte caída
    encontro-me no fim-do-mundo
    onde tudo não é nada
    onde nado sem saber o momento breve
    onde minto
    onde o bonde do bode é uma ode
    e não fode com minha cabeça
    do meu pau de pele rosada
    e não pode o dia perolizado se confundir
    não pode o dia confoder com tudo
    e com todos

    com a noite senão
    dá madrugada da manhã
    e aí o universo se anuncia à poesia
    a poesia não adia não arrepia
    o pássaro não pia
    nem seus quadris rodopiam
    cobrindo os peitos pelos (en)cantos
    de ushuaia
    não suporto o frio
    vindo do sul do norte da antártida
    enregelando os sulinos montes
    os sulinos campos
    as sulinas cidades
    as andinas montanhas
    a restinga do albardão dos albatrozes
    de algodão branco
    como branco do branco
    dos teus olhos

    dos teus sueteres
    teus seres das tuas serestas
    das arestas das sestas das sextas-feiras
    da novela das sete dos setecéteras das eras
    das heras que te cobrem os teus muros
    os teus seios brancos de bicos duros
    e oleosos róseos e dourados
    que chupo e rechupo
    e reduzo a champanhe
    como com champingnon
    e inhame e pinhão da terra
    trufas negras com trutas grelhadas
    na manteiga negra com alcaparras
    e violeta parra
    sorvendo tequila com absinto
    e dolce de uvaia e limão

    eu li na tua mão as tuas linhas
    da solidão tu com o corpo arqueado
    de quatro querendo que eu entre
    querendo e querendo
    que eu reentre novamente
    na tua mente derr
    amando doce-de-leite
    e copos-de-leite e mais leite
    e se deleite e se dê leite
    e se deite líquido branco viscoso
    que coso leite-de-côco
    cor de gelo que grelo gostoso
    entre meus dedos
    lodosos te enfio e te teço
    um terço uma ave maria um padrenosso
    meu deus do céu
    minha santíssima virgem

    te sinto diabólica e bucólica
    sem cólica sem coca sem cola
    sem cajuína sem marijuana
    minha joana minha maria
    sorria e me arranha me estranha
    me mata me ata a ti a teu corpo
    a tua cor a teu pó
    a teus pés me chama de zé
    e só e nada mais
    em bariloche en una
    noche mui caliente mui abajo de zero
    il fredo che me entranha nos ossos
    nos olhos nos sonos
    nos sonhos nos soalhos en nosotros
    os alhos porós nos poros
    no pó na retina

    na retilínea
    na retícula curva do teu corpo
    a curva del cerro e me encerro
    na chuva na uva do vinho tinto
    não minto prá ti nem um minuto nem por um
    instante nem peço socorro
    nem corro só para onde vamos
    eu não sei só sei que corro e corro
    e correndo vamos para onde
    el diablo quer
    quisera o dia em que
    eu entediado fizera do sonho odiado
    um fio de poesia
    tensão e energia minha guia
    minha gula minha (f)agulha
    que enfio goela abaixo até o coração
    explodir pelos poros...

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  3. o olmo
    contratudo contratodos
    contra homo
    plata contra o homoplástico prata
    ao contrá
    rio do homem côncavo
    osso em arco escavando
    todas as cousas na escuridão
    cadáverminosa curva que escorre
    turva que é cor ruiva e raivosa uiva
    que viva vibra brumosa acorda
    escor
    pião-rosa embriagado de chuva
    bagas de uva cheirosa
    um odor de salgueiro à ribeira do riacho
    que com a dor da salmoura
    em nacos de pele escarlate
    t
    ardia a sólidalma

    levantando vôos
    em leves ares
    em antares em anta gorda
    em antonina em antananarivo
    em antofagasta
    antanho anteontem
    estorvalhar a retidão do esplendor
    e ardor penetrando
    bordas da escuridão
    como um cadáver vivo
    vendo-se imenso calcário
    rio aéreo como concha oclusa
    no mar da solidão
    cor rompendo a dor adornada de ouro
    orando em matadouros
    pelas carnes pela c(l)aridade
    dos entreodiados dias murmur
    ando alternantes sussurros
    entre o céu e o inferno

    entre o horror do pecador
    e a tortura do salvador
    para onde só se sobe de elevador
    numa velocidade póstuma
    nem mínima nem máxima
    porque a máxima é:
    " elevar-se dentro de si para ser "
    num papel almaço
    desenho um albatroz
    no alcândor de alabastro
    para alçar a alma além-mar
    à alfama do alcáçar
    onde alfanges e algemas
    prendem-me alhures

    onde a luz se faz solar
    e evapora serena
    seda foice só ou faca
    a sede sabor de sangue
    entrever entrevas o mar
    por onde ondas virilhas
    formam e ruínas domam
    caramujos marujos medusas
    em tuas conchas sereias
    raias nas areias cast
    elos castos caranguejos
    náufragos búzios gr
    ávidos peixes de tédio
    dejetos de gestos desejo(s)
    asas tenras de morcego negro
    este amor
    cego que nego que carrego e cedo
    aturdindo deuses e rochas
    antes tarde do que dante
    em incêndios medita errâneos
    meus dias de inferno
    na terracéu de ninguém
    como se algo tão fósforo

    entre o dia marginal
    e a tarde centelha
    no(s) olho(s) do papel
    um tornado
    outro branco
    na têmpora o caralho dentro
    contra o medo destempero
    o centro endro coentro sal alho
    decerto o vento elabora
    outro (in)vento
    de silen ciosas salamandras not
    urnas derrubam
    elefantes negros da parede
    a fruta cristal de mármore
    um caçador de vampiras
    e o pássaro eunuco
    espermas do céu de chumbo...

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  4. céus
    de montes longes
    estrelados belos
    em vôorvalhos de fagulhas
    num espetalar de dissolvidro sol
    em contínuas emolduragens zen
    untado de óleopardo mais zanzibar
    do que amarelosóis da rubria-terra
    em ostras palávridas nascentelhadas
    no desorientenebroso horizontem
    das orelhas do ventre-livro:

    drupáceas flabeladas de incrustáceos
    caducifólios bilobados sobre mimmesmo -

    unha velida volvoreta (1)
    en canto un rascaceo
    en anacos calaveras
    esculcam tebras

    transborboletras frinchadas
    corcircundam odores melíferos
    de purpurina onde salivorescorrem
    pelas guelras das siloitas
    páginalvas soltas (f)rugindo
    como mercenárias hienas
    de cielosflamejantes
    até silvanas áfriicas
    de vísceralmas semiclaras
    ao pátrio armado:

    a obscuras vive el vértigo sin párpados
    y en el cielo unánime brotan súbitos pájaros

    imparênteses entristecidas teses
    de gingerlinas glabras
    estes tristes traços
    entre a incerteza
    do ser tão de teresina
    e o " teseu de trezena " -
    testemurro-a sobre(a)mesa de amora !?
    gergelimacídea ?! aroma de romã ?!
    " uma rã estria n'água respingo de lágrimas "
    - arremesso a palavra pedra
    como se fosse o começo
    e não meço a (in)conseqüência
    da queda que revela
    ao vento vendo-se movendo
    onde escrivo palavrouras intrigadas
    de trigores heliantos ocultos paradisos

    quem no fulgor do poente corrói
    o brilhoso sol tombado
    no instantespesso da florvalhada
    mais suave ?

    - relâmpagos de silhuetas -

    singradura de estrebelhas em tramas
    às margens está
    tua face de mármore
    e sei os duros cedros entre fôlegoles
    de cidra e dentres de mar gim
    embriagando os teus esfolhos envidrados
    olhos brigando entre si -

    chega de trama chega de drama
    aconchegaqui teu corpo um copo d’água
    o teu corpo de áquila no aconcágua
    um condor enregelado a lado
    regendo o andes quer
    onde tu andes seja em meu corpo
    ou na senda de silvos satirídeos
    em rochamuscadas de rascaceos
    como suavessas rapinas
    de utopázions entreabrindo
    insinuantes málpedras
    esquivando-se do olhar
    do espelho sobre
    este mar de tenebras

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  6. são mil cavalos de forças suicídas
    em teus ouvidos uivando
    como se o crescente vento crescente
    fosse (n)a escuridão cadente
    de uma estrela cadente
    irradiando o sabre
    relâmpago sabe o corte cálidoscópico
    e inconcluso haraquirinsano
    de tentáculos que se abrem
    em lábios gomos revérberos
    aerados de membranas

    hímen-
    soldáveis à deriva
    soçobrados navios
    entre albatrozes de asas ninfas
    brindando demônios verdugos
    ébrios noturnos fígados
    enterrando seus vivos
    onde ardem na tarde
    incendiária de abutres
    os céus do sol solitário insólito
    de hienas e vômitos
    onde vespas espalham
    bolhas e violetas e bordados
    esmaltes de lótus
    sugando o iceberg do mar
    esse fragmonstro marinho
    vertendo algas em polvo-
    rosas pássaros náuseas
    chuva de anchovas
    sobre os ombros da sombra
    um fio de sol medita

    enquanto casulos soluçam
    bocejos de tédio
    o corpo vibra aspirando
    o fôlegozoso do fogo
    entre vértebras e detritos
    trema(s): elas se abutrecem
    telas de estrelas além-terra
    entretê-las trêmulas
    enterrá-las sob as telhas retê-las
    e tremam em trilhas
    de tarântulas nas entrelinhas
    estrelinhas estrilam
    este brilho estribilho de trégua

    exalando a dor que labirinto
    algo dão tecido de linho
    sobre o dorso do teu corpo
    pensa o pulso pulsa
    o hálito ferrugem
    entre lábios veludolorosos
    que absinto e absorvo
    larvas de intrigas
    e flagro o sopro
    sabor dos poros
    que explodo e exploro
    do saborácido musgo rosso
    te devoro
    o alvoroço do coração
    logrado e disperso
    litário absorto entremeados
    delírios um rumor suss
    urro(s)

    como os passos elaborados
    das dobras do dromedário
    o medo diário dorme
    o dia árido em
    vocábulos de libélulas
    e fábulas e luas
    rasuras sus pensas sais de rosas
    (r)uivas essa dor concisa
    no ciso convulsivo da vulva
    salivas tua uva agora uvaia dançarina
    e se resume:

    - em candelábios de argila

    às trevas cimitarras sarracenas
    e garras tigrinas
    cítaras metáforas
    essa atmosferambarina
    a lâmina cibilina o imã gina:
    o sublime sonho sinuoso do trovador
    o canto em fragmentos da cigarra noturna
    e um cortejo de corvos
    da alma carcaça
    esse atol de mariposas albinas
    na relva veludosas
    onde escravo
    inflames palavrorazes
    sobre essascigarras
    ferozas de incessantes
    asas translucidadas de cambraias

    dançarinas silábias
    que transformosam bordéis
    em suas alcoovas
    de incadelabrosos menestréis
    sob a cor calciana do céu
    caudalíricoroso
    açulam anáguas
    re(des)cobrindo salam-
    ancas de nuvens
    névoas dos meus risonhos
    entrediados crepuscu
    lunardos
    da chuvaia enveredada
    de campostais

    trigonomestrias
    do esculdorante escarcéu
    estreliçado espantalha-se
    com o encobriçado pelostrino
    sossobrio dezimbro no lustro
    que abutrece o sacr
    ofício de seu tresvôo
    sombrero doceano
    um bater-de-asas
    na imensa exaustidão imensa
    do cinzentostado tédio
    do diabucólico
    desse dracão rosácido
    de víviboras que murmurram
    pelas entrelvas
    entre velustrosos destrossos
    imensorvendo devassalaservas
    entre o risolutodiário verão douradornado
    de tesouropó
    e o infernomenal invermelho
    de fibras mórulas...

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  7. vou me ver domado
    dormido corroído
    doído de cor roída cor
    das indas e vindas da idade
    da cidade da cicatriz
    da cicatricidade
    da eletricidade
    da elegância da iguana
    da eleganância
    da gana da ânsia
    de ler um jornal
    fazer um jogral
    ver um grenal
    achar o santo graal
    e ter e reter e tomar em terezina
    todo o éter e pro
    meter a mão em teus meios
    onde semeio o sêmen em teus seios
    o gosto de menta
    a semente somente
    e tente outra vez
    abrir a página dez
    abrir a vagina
    com teus medos
    teus dez dedos
    tua sodoma a minha gomorra
    na tua cara
    nossa masmorra
    e não morra agora
    nossa senhora
    e não corra no saara
    porque o solmovediço sol
    sobre a areia movediça
    é uma treliça de madeira
    sereia se queres quereres
    mamadeira leite de côco
    eu quero teu leitoso
    oco
    quero teu leito formoso
    te dou um soco estou louco
    e só ouço a louça quebrar
    e requebrar e quedar
    e o queijo cheddar o remelejo
    teu beijo de ameixa me ajeita
    meu remelexo em teu jeito
    o meu seixo em teu sexo rolado
    em teu solado em meu sol
    amargo o salamargo em salamanca
    as tuas ancas não largo
    eu te afago em wells fargo
    no largo de lagos
    no reino do algarve
    mediterrâneo descubro teu rosto
    cobre cor-de-mel
    ainda hoje vou-me
    embora para pasárgada
    a passos largos levando
    tua boca esgarçada
    tuda boca engasgada
    teus pássaros de bora-bora
    vão passar mel com manteiga no pão
    do japão do jalapão de pimenta jalapeña
    tabasco e jamaica maria da penha
    no país basco sinto o teu asco
    ascolta questa parola
    stesso peccato posto al fuoco
    o foco é o osso exposto
    deposto de si mesmo
    depositado desossado desfiado
    não vendo fiado
    só vendo para crer
    o fio da meada o fio maravilha
    a ilha do timor
    onde o tremor da morte
    o temor segue a leste a sueste
    ao farwest ao everest
    este que fica a oito mil léguas
    e tantos metros acima do mar
    altro punto lontano lungo de lago di cuomo
    onde teu cu eu como
    dando tiro pela culatra
    pelatrina cuando ladra pelas crinas
    cadela de candelabros
    de carnudos lábios
    cornutto de cor marfim
    ao mare alla fine del mondo
    onde a onda
    omelete de fios de ovos
    e baba salobra
    no café da manhã
    o oba-oba do bicho da goiaba
    o sal o salário a salada
    lado a lado orleados de alface
    em tua face em aljazur do algarve
    ao faro

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  8. sinto-te o bafo na nuca
    cabelos belos de elos
    sinos e signos vão bater
    na catedral o teu destino de dédalo
    que desejo o ensejo e não enxergo
    não enxugo tuas lágrimas
    as nádegas e nada
    esta tua pele este teu texto aveludado
    de branca de neve
    na estrada onde se deve parar
    pára tudo
    o paralelepípedo saiu do lugar
    teus parapeitos páraraios
    saíram do lugar
    que o partam ao meio
    saíram do lugar
    são espartanas tuas tetas
    espartanas estas dádivas dos deuses
    setas que tantos dardos já fincaram
    e te acetaram e lhe cercaram
    e secaram com toalhas
    com olhos de papel
    de tom pastel o teu mel
    sou teu menestrel minha estrela
    meu pulsar meu quasar meu pó
    minha estrela-do-mar
    meu pé de laranja-lima
    meu limão meu limoeiro
    meu pé de jaca-randá
    me lima os calcanhares
    minha galáxia de antares
    minha axila minha asfixia
    minha estrela guia
    minha esfiha anfitriã
    energia estrela anã
    não estou em annan
    vietnã saigon
    zona de bananas de diamantes
    de arrozais de rosas ruivas
    mas sim na conchichina
    na zona de aflitos
    de conflitos de confetes e serpentinas
    como jogar nos aflitos do recife
    do capiberibe tico-tico bolo de fubá
    farinha de milho de milhões e milhas
    que percorro atrás de alibabá
    e os quarenta ladrões
    corro atrás da babá
    da minha vizinha
    que me visita dia sim e dia também
    amém meu deus do céu
    minha virgem santa minha nossa senhora
    meu pai nosso que estais no céu
    que coisa essa mulher de colher de pau
    na mão comendo mamão feito bezerro mamão
    dando berro de desespero
    não erro porque quero-quero
    bem-te-vi pela janela
    saracura sabiá o que fazia
    corruíra minha dor e não espero
    por nada não
    só quero o que é meu
    e só
    curvas calientes
    em madrid de san isidro
    onde gabriel e mel
    viveram e sobreviveram
    às margens do manzanares
    de belos ares
    "alcalá de henares"
    - "al marit" fonte de água -
    depois majerit por fim madrid
    reino de castela cidadela de el pardo
    onde ardo ao sol do meio dia
    do cerro de los ángeles
    a guadarrama
    que se esparrama pelo chão
    quando nasce o sol da manhã
    e lá gabriel e mel viveram
    felizes para sempre
    ou quase

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