Ao cair da tarde no terreno da casa velha as frutas mais que macias de tempo caiam aos montes e esparramavam-se no chão como sorrisos largos na face. Eu caía muitas vezes ao cair da tarde, correndo. Caíam folhas da goiabeira e caíam alguns sonhos cansados de serem peso na luz que vela. Caíam as cinzas do fumo do pai ainda em brasa no meu peito e as pálpebras cansadas de delírio da criança no quintal da casa velha. A vó caía de sono na sua cama de colchas desfiadas e caía um último olhar de sol pelo vasculhante de seu quarto. No sofá da sala caíam de rir as filhas com seus cochichos aéreos. Ao cair da tarde caía a friagem, o sereno e a cortina rosa-amarelo-fogo do céu que até hoje ainda arde, caíam as crianças jogando bola na rua e se enrunhavam todas e caíam os dentes da boca, caía a bola no quintal de homens vazios, espinhentos meu deus! eles esvaziavam a bola à mão como agulhas enferrujadas. Caíam os vasos de flores da mureta do jardim da mãe e as cores caíam e sobre as flores as tenras terras roxas... caíam os velhos xaxins e as folhas secas que não mais se seguravam, as uvas já passadas da parreira do canteiro no quintal não passavam do chão... caía a luz do poste e o sol à mingua como uma língua miúda dando adeus. Agora cai minha face de flor murcha e minha pele de enrugada romã na fruteira herdada da avó a espera de uma garganta febril. Caíam tranqüilos fios de cabelo cor de chumbo-prata e que descansavam sobre a almofada e caiam as unhas dos moleques que jogavam bola descalços na rua da ladeira, caíam as vozes em burburinho agudos em minha cabeça que rolava na prévia escuridão, caíam as cigarras depois de berrarem nos galhos, nos telhados assim como as mães são aos berros com seus filhos pouquinho antes da escuridão da noite... caíam rios de raios das tempestades de verão, e depois o silêncio na casa... partia. Caíam os panos dos espelhos e todos os reflexos transpassados, caíam muros distantes do outro lado do mundo e caíam cercas de cercar mudas de plantas, caíam as bocas de mães mudas que eram mudas de velhas índias-escravas em fundo de quintais e cozinhas... e mucamas nas camas de alguns, meu deus! como galinhas que ciscavam restos de vida... caíam dos peitos da tarde alguma coragem de não ser mais, caíam o prédio, o teto, o tédio e o (meu) mundo caía várias vezes ainda em construção e na fervura de orações eu arrebentava os terços delicados e rosários de contas sem conta, arrebentava no ímpeto do desejo da noite e caíam em queda d'água da tarde todas as pérolas cristalinas no chão e algumas escorriam até o pé da mãe, e caíam a tarde dos olhos da mãe, e caíam as mãos como lenços cobrindo rostos de seus filhos no chão, das madres encucadas caíam grossas lágrimas dentro de um copo com água e silêncio que o pai bebia, todo dia na hora da ave-maria às seis horas da tarde caía o último fio de lume-lâmina e voz atravessando o ar empoeirado da memória.
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a torre traz uma ideia de experiência esmagadora do despedaçamento das estruturas - geralmente internas e que levam às externas. Necessário...
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Ao cair da tarde no terreno da casa velha as frutas mais que macias de tempo caiam aos montes e esparramavam-se no chão como sorrisos largos...
-
não há garoa que não passe, garota! *** ao cair da tarde as folhas cá em gotas *** muriçocas a zunir no ouvido da gata que maçada!...
-
As vezes, evito escrever coisinhas aqui no "feedboock" q é pra num chocar tanto. Que choque ninguém gosta né. Pq eu num dou aquel...
traço entre o espelho e as palavras
ResponderExcluirum crepúsculo de fibras esgarçadas
neste corredor de fantamas
noturnos tornozelos: - o eterno corpo -
adornado de diamantes dentro
entre o retorno da dor em sopro
não o fogaréu exposto do inferno
mas o resíduo da coisa fátua
esta que sobrevive ao incerto
sentir o odor do estendido osso
acusado depois da perda abrupta
já por medo a agonia do dorso
- sob o castigo do açoite extremo -
tudo se foi - tempos dorsos troncos
retorcendo eternos olhos d'água
teu arpão farpas de seda doem-me as espáduas
o retorno dos tornozelos em fuga
os sabres sobre as rugas do teu céu líquido
por trás dos ombros - os olhos - ocos de argila -
sabemos a agonia dos ossos
e a dobra das ondas os irados sentidos
e a sina dos corvos
não poupamos elogios à loucura dos gênios
nem a nódoa sobre o mundo nos envolve
em mudas sílabas:
- os poetas sabem das palavras
nós sabemos dos poemas
ouvir o cálido nervo no céu calêndula
ver o abutre olho rasgar o osso amêndoa
a trama do verde entre a rede e a varanda
o vurmo do ventre sobre a espuma e a pedra
primavera de trevas
e líricos cristais de ouro-luz
o que se descortina além de gravuras ?
são os dias que se vão
e essa noturna armadilha
irrompendo densa (n)a tarde breve e vária:
dançam as estrelas como se o silêncio
conspirasse improvisos contra a solidão do céu...
sem volta pra lugar nenhum
ResponderExcluirsó revolta o ventila
dor do teto em meu rosto
que desgosto passou
um trem das onze passou
um rio em minha vida
de janeiro à agosto
do mar vermelho a finisterra do fogo
onde a américa inicia e termina
meu so(h)no no meu soho
na tribeca são quatro horas da madruga
e minhas rugas estão acordadas
enquanto minha mulher
de olhos bem fechados so
sonha aguardando o dia amanhecer
o sol tecer fios dourados de ovos
à beira do riacho
dentre flores e espinhos
dentre narcisos tulipas lírios
no céu flutua uma pipa
no chão rasteja um rio de formigas
minhas amigas cigarras de aço
esvoaçam perdidas
sobre a pedra da ponte caída
encontro-me no fim-do-mundo
onde tudo não é nada
onde nado sem saber o momento breve
onde minto
onde o bonde do bode é uma ode
e não fode com minha cabeça
do meu pau de pele rosada
e não pode o dia perolizado se confundir
não pode o dia confoder com tudo
e com todos
com a noite senão
dá madrugada da manhã
e aí o universo se anuncia à poesia
a poesia não adia não arrepia
o pássaro não pia
nem seus quadris rodopiam
cobrindo os peitos pelos (en)cantos
de ushuaia
não suporto o frio
vindo do sul do norte da antártida
enregelando os sulinos montes
os sulinos campos
as sulinas cidades
as andinas montanhas
a restinga do albardão dos albatrozes
de algodão branco
como branco do branco
dos teus olhos
dos teus sueteres
teus seres das tuas serestas
das arestas das sestas das sextas-feiras
da novela das sete dos setecéteras das eras
das heras que te cobrem os teus muros
os teus seios brancos de bicos duros
e oleosos róseos e dourados
que chupo e rechupo
e reduzo a champanhe
como com champingnon
e inhame e pinhão da terra
trufas negras com trutas grelhadas
na manteiga negra com alcaparras
e violeta parra
sorvendo tequila com absinto
e dolce de uvaia e limão
eu li na tua mão as tuas linhas
da solidão tu com o corpo arqueado
de quatro querendo que eu entre
querendo e querendo
que eu reentre novamente
na tua mente derr
amando doce-de-leite
e copos-de-leite e mais leite
e se deleite e se dê leite
e se deite líquido branco viscoso
que coso leite-de-côco
cor de gelo que grelo gostoso
entre meus dedos
lodosos te enfio e te teço
um terço uma ave maria um padrenosso
meu deus do céu
minha santíssima virgem
te sinto diabólica e bucólica
sem cólica sem coca sem cola
sem cajuína sem marijuana
minha joana minha maria
sorria e me arranha me estranha
me mata me ata a ti a teu corpo
a tua cor a teu pó
a teus pés me chama de zé
e só e nada mais
em bariloche en una
noche mui caliente mui abajo de zero
il fredo che me entranha nos ossos
nos olhos nos sonos
nos sonhos nos soalhos en nosotros
os alhos porós nos poros
no pó na retina
na retilínea
na retícula curva do teu corpo
a curva del cerro e me encerro
na chuva na uva do vinho tinto
não minto prá ti nem um minuto nem por um
instante nem peço socorro
nem corro só para onde vamos
eu não sei só sei que corro e corro
e correndo vamos para onde
el diablo quer
quisera o dia em que
eu entediado fizera do sonho odiado
um fio de poesia
tensão e energia minha guia
minha gula minha (f)agulha
que enfio goela abaixo até o coração
explodir pelos poros...
o olmo
ResponderExcluircontratudo contratodos
contra homo
plata contra o homoplástico prata
ao contrá
rio do homem côncavo
osso em arco escavando
todas as cousas na escuridão
cadáverminosa curva que escorre
turva que é cor ruiva e raivosa uiva
que viva vibra brumosa acorda
escor
pião-rosa embriagado de chuva
bagas de uva cheirosa
um odor de salgueiro à ribeira do riacho
que com a dor da salmoura
em nacos de pele escarlate
t
ardia a sólidalma
levantando vôos
em leves ares
em antares em anta gorda
em antonina em antananarivo
em antofagasta
antanho anteontem
estorvalhar a retidão do esplendor
e ardor penetrando
bordas da escuridão
como um cadáver vivo
vendo-se imenso calcário
rio aéreo como concha oclusa
no mar da solidão
cor rompendo a dor adornada de ouro
orando em matadouros
pelas carnes pela c(l)aridade
dos entreodiados dias murmur
ando alternantes sussurros
entre o céu e o inferno
entre o horror do pecador
e a tortura do salvador
para onde só se sobe de elevador
numa velocidade póstuma
nem mínima nem máxima
porque a máxima é:
" elevar-se dentro de si para ser "
num papel almaço
desenho um albatroz
no alcândor de alabastro
para alçar a alma além-mar
à alfama do alcáçar
onde alfanges e algemas
prendem-me alhures
onde a luz se faz solar
e evapora serena
seda foice só ou faca
a sede sabor de sangue
entrever entrevas o mar
por onde ondas virilhas
formam e ruínas domam
caramujos marujos medusas
em tuas conchas sereias
raias nas areias cast
elos castos caranguejos
náufragos búzios gr
ávidos peixes de tédio
dejetos de gestos desejo(s)
asas tenras de morcego negro
este amor
cego que nego que carrego e cedo
aturdindo deuses e rochas
antes tarde do que dante
em incêndios medita errâneos
meus dias de inferno
na terracéu de ninguém
como se algo tão fósforo
entre o dia marginal
e a tarde centelha
no(s) olho(s) do papel
um tornado
outro branco
na têmpora o caralho dentro
contra o medo destempero
o centro endro coentro sal alho
decerto o vento elabora
outro (in)vento
de silen ciosas salamandras not
urnas derrubam
elefantes negros da parede
a fruta cristal de mármore
um caçador de vampiras
e o pássaro eunuco
espermas do céu de chumbo...
céus
ResponderExcluirde montes longes
estrelados belos
em vôorvalhos de fagulhas
num espetalar de dissolvidro sol
em contínuas emolduragens zen
untado de óleopardo mais zanzibar
do que amarelosóis da rubria-terra
em ostras palávridas nascentelhadas
no desorientenebroso horizontem
das orelhas do ventre-livro:
drupáceas flabeladas de incrustáceos
caducifólios bilobados sobre mimmesmo -
unha velida volvoreta (1)
en canto un rascaceo
en anacos calaveras
esculcam tebras
transborboletras frinchadas
corcircundam odores melíferos
de purpurina onde salivorescorrem
pelas guelras das siloitas
páginalvas soltas (f)rugindo
como mercenárias hienas
de cielosflamejantes
até silvanas áfriicas
de vísceralmas semiclaras
ao pátrio armado:
a obscuras vive el vértigo sin párpados
y en el cielo unánime brotan súbitos pájaros
imparênteses entristecidas teses
de gingerlinas glabras
estes tristes traços
entre a incerteza
do ser tão de teresina
e o " teseu de trezena " -
testemurro-a sobre(a)mesa de amora !?
gergelimacídea ?! aroma de romã ?!
" uma rã estria n'água respingo de lágrimas "
- arremesso a palavra pedra
como se fosse o começo
e não meço a (in)conseqüência
da queda que revela
ao vento vendo-se movendo
onde escrivo palavrouras intrigadas
de trigores heliantos ocultos paradisos
quem no fulgor do poente corrói
o brilhoso sol tombado
no instantespesso da florvalhada
mais suave ?
- relâmpagos de silhuetas -
singradura de estrebelhas em tramas
às margens está
tua face de mármore
e sei os duros cedros entre fôlegoles
de cidra e dentres de mar gim
embriagando os teus esfolhos envidrados
olhos brigando entre si -
chega de trama chega de drama
aconchegaqui teu corpo um copo d’água
o teu corpo de áquila no aconcágua
um condor enregelado a lado
regendo o andes quer
onde tu andes seja em meu corpo
ou na senda de silvos satirídeos
em rochamuscadas de rascaceos
como suavessas rapinas
de utopázions entreabrindo
insinuantes málpedras
esquivando-se do olhar
do espelho sobre
este mar de tenebras
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirsão mil cavalos de forças suicídas
ResponderExcluirem teus ouvidos uivando
como se o crescente vento crescente
fosse (n)a escuridão cadente
de uma estrela cadente
irradiando o sabre
relâmpago sabe o corte cálidoscópico
e inconcluso haraquirinsano
de tentáculos que se abrem
em lábios gomos revérberos
aerados de membranas
hímen-
soldáveis à deriva
soçobrados navios
entre albatrozes de asas ninfas
brindando demônios verdugos
ébrios noturnos fígados
enterrando seus vivos
onde ardem na tarde
incendiária de abutres
os céus do sol solitário insólito
de hienas e vômitos
onde vespas espalham
bolhas e violetas e bordados
esmaltes de lótus
sugando o iceberg do mar
esse fragmonstro marinho
vertendo algas em polvo-
rosas pássaros náuseas
chuva de anchovas
sobre os ombros da sombra
um fio de sol medita
enquanto casulos soluçam
bocejos de tédio
o corpo vibra aspirando
o fôlegozoso do fogo
entre vértebras e detritos
trema(s): elas se abutrecem
telas de estrelas além-terra
entretê-las trêmulas
enterrá-las sob as telhas retê-las
e tremam em trilhas
de tarântulas nas entrelinhas
estrelinhas estrilam
este brilho estribilho de trégua
exalando a dor que labirinto
algo dão tecido de linho
sobre o dorso do teu corpo
pensa o pulso pulsa
o hálito ferrugem
entre lábios veludolorosos
que absinto e absorvo
larvas de intrigas
e flagro o sopro
sabor dos poros
que explodo e exploro
do saborácido musgo rosso
te devoro
o alvoroço do coração
logrado e disperso
litário absorto entremeados
delírios um rumor suss
urro(s)
como os passos elaborados
das dobras do dromedário
o medo diário dorme
o dia árido em
vocábulos de libélulas
e fábulas e luas
rasuras sus pensas sais de rosas
(r)uivas essa dor concisa
no ciso convulsivo da vulva
salivas tua uva agora uvaia dançarina
e se resume:
- em candelábios de argila
às trevas cimitarras sarracenas
e garras tigrinas
cítaras metáforas
essa atmosferambarina
a lâmina cibilina o imã gina:
o sublime sonho sinuoso do trovador
o canto em fragmentos da cigarra noturna
e um cortejo de corvos
da alma carcaça
esse atol de mariposas albinas
na relva veludosas
onde escravo
inflames palavrorazes
sobre essascigarras
ferozas de incessantes
asas translucidadas de cambraias
dançarinas silábias
que transformosam bordéis
em suas alcoovas
de incadelabrosos menestréis
sob a cor calciana do céu
caudalíricoroso
açulam anáguas
re(des)cobrindo salam-
ancas de nuvens
névoas dos meus risonhos
entrediados crepuscu
lunardos
da chuvaia enveredada
de campostais
trigonomestrias
do esculdorante escarcéu
estreliçado espantalha-se
com o encobriçado pelostrino
sossobrio dezimbro no lustro
que abutrece o sacr
ofício de seu tresvôo
sombrero doceano
um bater-de-asas
na imensa exaustidão imensa
do cinzentostado tédio
do diabucólico
desse dracão rosácido
de víviboras que murmurram
pelas entrelvas
entre velustrosos destrossos
imensorvendo devassalaservas
entre o risolutodiário verão douradornado
de tesouropó
e o infernomenal invermelho
de fibras mórulas...
vou me ver domado
ResponderExcluirdormido corroído
doído de cor roída cor
das indas e vindas da idade
da cidade da cicatriz
da cicatricidade
da eletricidade
da elegância da iguana
da eleganância
da gana da ânsia
de ler um jornal
fazer um jogral
ver um grenal
achar o santo graal
e ter e reter e tomar em terezina
todo o éter e pro
meter a mão em teus meios
onde semeio o sêmen em teus seios
o gosto de menta
a semente somente
e tente outra vez
abrir a página dez
abrir a vagina
com teus medos
teus dez dedos
tua sodoma a minha gomorra
na tua cara
nossa masmorra
e não morra agora
nossa senhora
e não corra no saara
porque o solmovediço sol
sobre a areia movediça
é uma treliça de madeira
sereia se queres quereres
mamadeira leite de côco
eu quero teu leitoso
oco
quero teu leito formoso
te dou um soco estou louco
e só ouço a louça quebrar
e requebrar e quedar
e o queijo cheddar o remelejo
teu beijo de ameixa me ajeita
meu remelexo em teu jeito
o meu seixo em teu sexo rolado
em teu solado em meu sol
amargo o salamargo em salamanca
as tuas ancas não largo
eu te afago em wells fargo
no largo de lagos
no reino do algarve
mediterrâneo descubro teu rosto
cobre cor-de-mel
ainda hoje vou-me
embora para pasárgada
a passos largos levando
tua boca esgarçada
tuda boca engasgada
teus pássaros de bora-bora
vão passar mel com manteiga no pão
do japão do jalapão de pimenta jalapeña
tabasco e jamaica maria da penha
no país basco sinto o teu asco
ascolta questa parola
stesso peccato posto al fuoco
o foco é o osso exposto
deposto de si mesmo
depositado desossado desfiado
não vendo fiado
só vendo para crer
o fio da meada o fio maravilha
a ilha do timor
onde o tremor da morte
o temor segue a leste a sueste
ao farwest ao everest
este que fica a oito mil léguas
e tantos metros acima do mar
altro punto lontano lungo de lago di cuomo
onde teu cu eu como
dando tiro pela culatra
pelatrina cuando ladra pelas crinas
cadela de candelabros
de carnudos lábios
cornutto de cor marfim
ao mare alla fine del mondo
onde a onda
omelete de fios de ovos
e baba salobra
no café da manhã
o oba-oba do bicho da goiaba
o sal o salário a salada
lado a lado orleados de alface
em tua face em aljazur do algarve
ao faro
sinto-te o bafo na nuca
ResponderExcluircabelos belos de elos
sinos e signos vão bater
na catedral o teu destino de dédalo
que desejo o ensejo e não enxergo
não enxugo tuas lágrimas
as nádegas e nada
esta tua pele este teu texto aveludado
de branca de neve
na estrada onde se deve parar
pára tudo
o paralelepípedo saiu do lugar
teus parapeitos páraraios
saíram do lugar
que o partam ao meio
saíram do lugar
são espartanas tuas tetas
espartanas estas dádivas dos deuses
setas que tantos dardos já fincaram
e te acetaram e lhe cercaram
e secaram com toalhas
com olhos de papel
de tom pastel o teu mel
sou teu menestrel minha estrela
meu pulsar meu quasar meu pó
minha estrela-do-mar
meu pé de laranja-lima
meu limão meu limoeiro
meu pé de jaca-randá
me lima os calcanhares
minha galáxia de antares
minha axila minha asfixia
minha estrela guia
minha esfiha anfitriã
energia estrela anã
não estou em annan
vietnã saigon
zona de bananas de diamantes
de arrozais de rosas ruivas
mas sim na conchichina
na zona de aflitos
de conflitos de confetes e serpentinas
como jogar nos aflitos do recife
do capiberibe tico-tico bolo de fubá
farinha de milho de milhões e milhas
que percorro atrás de alibabá
e os quarenta ladrões
corro atrás da babá
da minha vizinha
que me visita dia sim e dia também
amém meu deus do céu
minha virgem santa minha nossa senhora
meu pai nosso que estais no céu
que coisa essa mulher de colher de pau
na mão comendo mamão feito bezerro mamão
dando berro de desespero
não erro porque quero-quero
bem-te-vi pela janela
saracura sabiá o que fazia
corruíra minha dor e não espero
por nada não
só quero o que é meu
e só
curvas calientes
em madrid de san isidro
onde gabriel e mel
viveram e sobreviveram
às margens do manzanares
de belos ares
"alcalá de henares"
- "al marit" fonte de água -
depois majerit por fim madrid
reino de castela cidadela de el pardo
onde ardo ao sol do meio dia
do cerro de los ángeles
a guadarrama
que se esparrama pelo chão
quando nasce o sol da manhã
e lá gabriel e mel viveram
felizes para sempre
ou quase