domingo, 18 de setembro de 2011

história de desandar meninos

Vitinho é o menino que tem dentro do Vitor, as pessoas que cresceram tem pessoinhas pequenas dentro como um abismo que se abisma. Olhos que entram dentro do outro da gente. Isso parece confuso e é mesmo. Mas também pode ser divertido e azucrinado - quer dizer isto - um azul na crina dos meninos confusos e velozes. Um tiquinho de gente tinindo de dentro da gente.

Às vezes, vitinho é esquecido, mas tá lá ele, de mala e cuia esperando Sandrinha pra ver o depois do horizonte, Sandrinha e Vitinho se dão as mãos, ela puxa a mão dele sem perceber que tem puxão, quer levá-lo para o fim do mundo que não acaba, perdidinha-da-cabeça, um sem fim de idéias doidas.

Sandrinha gosta dos brilhinhos dos olhos de Vitinho e do sorriso de céu aberto que é ele todo. Acha que as ladainhas dele são cansatórias mas espera ele dizer as mesmas coisas toda vez, até dizer uma coisa nova, é quando a estação muda e tudo muda de cor e eles atravessam o rio, quase falta fôlego. Eu acho é bom porque Vitinho vive o alívio do vento nas folhas, o verde das veias e das algas que tem no corpo das águas.
Ao final, acertam seixos no corre-córrego dos peixes, acertam o alvo; eles erram caminhos desandados.

Um comentário:

  1. eis um vencedor. vitor. sua vitória sobre a vida é poderosa. já sandra, sabe o que quer. dominadora. e ela quer vitor. envolve-o como se fosse um manto sagrado. o rio é um caminho incerto. mas é onde eles esquecem o resto. as pedras não os impedem de seguir em frente. vitor e sandra são como uma salamandra: se regeneram dia a dia. habitam zonas úmidas. solitários. atraem pelo cheiro. e causam espanto.

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Investigo as vértebras da noite. Entre as fendas do tempo como escorpião espreito de soslaio a vida transitando pela casa. Pelas ruas. Corp...