quinta-feira, 7 de maio de 2026

Pequenos poemas

1.

Manhã fria

Sol se demora a levantar

Névoa cobre o dia

2.

Céu limpo 

Caminhão na avenida

Cata o lixo

3.

Crianças na escola

Algazarra no pátio 

Vizinhos reclamam dos gritos

4.

Cães latem ao longe

Cada latido 

um osso 


Alessandra Espinola 

Rio, maio de 2026 .

terça-feira, 5 de maio de 2026

Pequenos poemas

Sol se põe 

Entre as nuvens esparsas

Pássaros molhados

***

Avião passa berrando 

em cima dos telhados das Casas. 

O sol se põe entre as nuvens. 

Pássaros gralham na tarde. 

***

Nascida de outono 

For lilás faz festa

No quintal de casa 


Alessandra Espinola 

Rio de Janeiro,  maio de 2026.

domingo, 12 de abril de 2026

Folhas Soltas

Outono das Folhas Soltas:

árvores inteiras soltam o verbo 

de todas as cores, começaram com as flores liláses, azuis, roxas

brancas como as nuvens no céus, fatiadas como bolos de aniversários a serem distribuídas ao público infantil, 

hora de cantar o Parabéns!

Chegou Outuono, lua nova, algo renovando, novo que vem sendo gerado 

palavras soltando sentidos antigos de outras estações

palavras flores como armas de ponta-cor, engatilhadas de pensamentos -palavras -pétalas 

cheira esse gosto de músicas clã-clássicas atiradas no ar 

flautins flautas de barro chegando à Terra - via mar

aportando na praia os sons da orquestra marítma 

outono palavras soltas como incenso de ser sendo

escritas nas folhagens de outono voando no vento chegando no destino nutrindo o mundo

palavra é caminho, palavra é estrada palavra de mão dadas

encruzilhada crua que cura

                         corta a carne da ferida, suavemente,  dor guardada, abre o caminho sulcando a palavra como larva na terra

Desliza quente na ilha

palavra, larva que vira pupa e voa 

pássaros soltando penas 

bico arrancando à pena a pleno pulmão 

ritual feito se tira espinho na carne: a cruz cravada no peito 

arrancando a palavra calada : morte a ressurreição 

Colhendo Lázaro entre pedras

a leitura silenciosa: alíngua  procurando saida no céu da boca 

aplainando a mémoria

memória não é chão, é voo, trajeto errante percorrido . Aprendizado. Trilha de caminho rústico, árido hostil cru mata virgem

trafego aéreo para pouso arriscado  

Pista escorregadia 

Arremeter. Levantar flaps. 

voo cego acima das nuvens

memória é tapete voador no vento 

a torre de controle rntrou em contato

não estamos sozinhos 

Viagens para o estrangeiro

O amor é o passaporte

Mas não cobra passagem 

palavras ao vento a memória

a gente pega como as crianças pegam pipa voada . O teto é palco de comunicação,  telhado conexão antena parabólica parabéns paracelso parabéns pararaios 

as vezes pombo na asa do avião

acidente ao acaso

Pombo no vão da casa 

sempre foi preciso antes do ninho, do casulo do voo - o chão!

 

folhas soltas tem vida de chão, folhas secas tem sede de chão, folhas ao vento tem carência de chão

folhas tem fome de raízes e de novo chão.

Terra-chã tem ventre para vento fogo água

Terra clã , os ossos se levantam em palicadas,  exemplo científico,  barro em calcificação

tem corpo de lava de lua-vulcão 

 

Alessandra Espínola

Rio outonal, domingo de 2026. 

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Folhas Soltas

 Dentro da biblioteca as histórias saem dos livros, se levantam de dentro do silêncio humano folheando memórias e realidade - atravessndo as linhas escritas pelo tempo, as histórias contadas na escuta que vive junto, caminha e vira parte da trama como um ser do palco invisível.  

Da biblioteca escuto o cavalo correndo na rua, galopando na tarde nublada, silêncios.  Avança seus cachos no asfalto, vejo sua musculatura chicoteia a crina aos céus. Como um urro um grito. Cavalga a frente do tempo. 

Vira a esquina e some na estrada. O horizonte recebe o passado. 

Ossos tocando na tarde a ladainha da vida. 

Depois de uma pausa dessa orquestra de memórias e páginas relidas, outro cavalo na mesma direção, no mesmo asfalto, na mesma rua, seguindo o mesmo destino, só que agora com uma carroça improvisa a meia boca. Não menos pesada, mais vazia e menos elaborada com madeiras recicladas. Camadas pelo caminho. 

Atravessam o tempo,  o cavalo o que se acha dono do cavalo montado sem preparos sem aparos sem rédeas. Só o galope solto quase a esmo. Passam em frente a biblioteca. 

Logo depois o ronco do carro, das motocicletas e um som de uma rádio falante. 

A tarde se alonga, mas logo há vozes de criancas jovens, movimentação, dois homens curiosos se admiram e olham o ceu.  Um dorme e eles apontam e acononahm o drone passeando nos ares. Corre pra trás do morro...e some.

Crianças correm no meio da rua, gritam "mãe,  oh mãe " e como pequenos cavalos correm, quase voam no galope, mais ronco de motos, vozes se apinham ao redor. Um novo ciclo do dia. Pássaros cantam. E trocam assobios, pios e sassaricos. A orquestração do dia ensaia incessante. Todos a postos de novo. As crianças gritam como fossem aves!   As mulheres falam das novidades - corriqueiras. Algumas fofoqueiras , outras idiotas não sabem que são como bonecas de pano manipuladas pela fé. As idiotas perfeitas dos que se acham espertos. 

Sons de. Ferros que ranger, a muita a cortar e cortar cortar eternamente cortam o som espatifar no ar as coisas todas enriquecidas dos anos passados. O som da vassouras rascando a superfície,  o refrão do ronco das motos , os pio dos aves,  as árvores. A buzina das motos em re menor. 

O avião no meio, tenor na cortina cinza -azul deste palco aberto. 

O arrulhar dos pombos nos telhados. As casas. Os prédios.  As janelas abertas dos prédios que dá para o quarto, camas beliches e velhice postas nos sofás. 

Outro avião abrindo a cortina. Cortando os ares. Uma bicicleta motorizada atraveessa a rua na mesma direção do cavalo. E mais outra buzinando vai para o lado oposto, na contra - mão. Um cão late do outro lado da calçada, e outro e mais outro.... o passeio das motos aumentam, os roncom os pássaros. Vozes de homens. 

Um mulher passa café,  o cheiro exala. Os passos dela no gcao liso tem uma velhice e uma maciez , sons d'água. E a máquina de cortar recomeça a trinar e a zurzir azulejos, mármores, concretas superfícies. 

A tarde esfria. A biblioteca silenciosa escreve histórias, a mão da eternidade traduz suas digitais. 

Alessandra Espinola 

Rio, 10 de abril de 2026. 



sexta-feira, 3 de abril de 2026

Folas Soltas

pássaros da manhã

de repente um pássaro pousa na bojuda cabaça sobre a mesa de madeira, outro no jarro de barro, e mais um na moringa de porcelana branca

 os pássaros da manhã abriam as asas lentamene no ninho, sobrevoavam o cano da aurora sobre as casas, a família, a vizinhaça e a comunidade

o céu a_cor_dando azul, a luz cintilando nas paredes nas ruas nos olhos das crianças e nas roupas do varal, nuvens rastreando lágrimas antigas no fundo das moringas - paradas, prontas a secar como folhas soltas secas e bailarinas sobre a estensa mesa de madeira da casa. 

o silêncio em nota maior, na pauta do dia a música dos pássaros da manhã inauguravam o concerto do feriado. o sol abria o concerto com sua batuta mágica. o espírito das ondas do mar banhava-nos a sede que não cessa. 

água e vinho.

o filtro de barro de água e o barril de vinho

a cumeeira no centro da casa

a reunião na sala , café, raízes e a música , a flauta , a vitrola de madeira forrada de crocê branco

a mãe colocava agulha  na linha exata do disco e logo as primeiras notas tocavam nosso coração

onde os continentes se aproximam e se encontram 

todos tomados banho

portas e janelas abertas

a mãe, o pai sorrindo

os pássaros da manhã anunciavam a chegada do novo - que nem sempre era depressa, mas no lento brotar de sementes lançadas em vôos, cantavam a dança do dia, da luz que a nova estação pintava e era um suave toque dos ares, a casa se enchia de um novo fôlego. 

Alessandra Espínola

(outono santo de 2026) 

Rio de Janeiro, 03/04/2026. 

terça-feira, 24 de março de 2026

Folhas Soltas

 Folhas Soltas

No silêncio, à noite, tudo fala, a cantiga, a canção, os diálogos, o roteiro, as histórias, os passos sobre as folhas atapetadas no solo, as vozes gravadas dentro deste amplificador. O cheiro do vento, O assovio do esmeril na oficina. Os metais se transformando. As limalhas de fogo cintilando o olhar. O Pai que trabalha noturnamente. Sob a luz acesa - da lua, da lanterna, do poste, dos olhos da coruja no alpendre da janela diante da bancada. Os óculos , a lupa, o punhal, a ampulheta, os cadinhos, as ferramentas postas sobre a mesa grossa, longa e antiga de madeira, o solo puro batido sustentável e fértil do tempo. Uma certa vegetação ao redor. Raízes por dentro. O radio ligado, o saber, a comunicação, a música e o silêncio. O céu aberto, azul marinho, escuro luzente de estrelas, faixos de cometas, metoros correndo solto nos ares. Era um espetáculo que se desacortinava na presença do pai. Meu maoir patrocinador de vida. Orquestra de mulheres que me sorriam, me davam a mão e eu entre dois mundos. Inteiros, Densos. Intensos. Ricos.

Na cozinha , a mãe, com os trajes de lenço branco na cabeça, o café cheirando, os brincos de ouro, a pulseira de cobre. A vela acessa. 

Eu me escutando por dentro o coração como uma terra pátria, língua materna. Dentro do tambor, corpo e escuta. Folhas soltas no quintal, eu perguntava à mãe, qual origem da árvore de cada folha estendida e de cada fruto espalado no chão. Os pássaros que moravam na árvore cuidavam das sementes, alguns deixavam a casca ninho e levavam o núcleo no bico como um coração na boca, se nutriam, em bando propício de estações. Migravam. Era uma geografia de folhas soltas nos ares. Asas, sementes e voôs. 

 

As folhas soltas eram pássaros, abriam as asas diante do renacimento e dos sonhos. Tomavam forma , palavras-árvores, sonhos alçavam voos e cumpriam sua rota dentro da rosa dos ventos. 

 

Alessandra Espínola

(outono na cidade dos vales em 2026) 

Rio, 24 de março de 2026. 

sábado, 21 de março de 2026

Poemas de Inverno [2025]

Poemas de inverno


Meio-dia 

Sol de inverno na janela

Vento descortina o silêncio da sombra


Tarde de terça 

Memórias rutiladas à superfície 

Lua nas águas 


Emoção à flor do seio

Brotam flores ao ocaso

Douradas de sol


Alessandra Espinola 

RJ, inverno de 2025

quinta-feira, 12 de março de 2026

Folhas soltas

folhas soltas

é o cru núcleo do que sou, um caos proeminente, olha: nada é o que parece, e nem mesmo é o que se vê. não ser o que se esperam ou que se desejam, não caibo na expectativas do mundo, nem das minhas ando cabendo, nem roupas antigas, velhas do ano passado que dirá de quando alguém - ontem - recente mesmo me conheceu, que dirá da infância ou adolescencia ou jovem ou adulta, ah tolice achar que pareço com aquela que fui. 

 Absorve aos poucos como quem degusta vinho, sem ar, recebe o sangue bebe o próprio corpo de sangue, fecha a mandíbula, sem transbordo, segura na boca a ardência, evapora, dilui, engole... esse todo de mim uno à fonte, um fluir de palavras decantadas na memória, no tempo, sem pressa, eis a travessia do Ser-Tempo. Como um bom vinho na adega do corpo, à hora da sagrada ceia da terra.

 

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, 2026 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Folhas Soltas

 Folhas soltas

como chuvas no verão, as palavras caem no telhado, e salpicam a casa de lama, barro, água e terra, vai-se salpicando as paredes, trabalho de pedreira -  largamassa, construção à mão, ir colhendo à palma quente, a água fria das nuvens,  dar mais liga com sova, saliva suor, como quem saliniza a massa do pão. Do corpo são. chapiscar a parede que se levantou em dias secos de sol. o texto corre passado a mão , aliso a parede bezuntando com folhas soltas catadas no chão do terreno da casa velha, chove,  o tempo úmido traz a lembrança da demora e da esppera. Fruto sendo gestado. Nesses dias anoitece rápido, e as palavras se re_colhem mais cedo, coadas a bordo de uma xicara de chá de folhas soltas que fumega, afaga e cura.

Alessandra Espinola 

Rio, 11.03.2026 

segunda-feira, 9 de março de 2026

folhas soltas

Folheei algumas páginas do livro do passado. Delicamente, num gesto humano e macio.  Virei algumas folhas frágeis, as mais antigas, as primeiras, prefácios e uma filha de rosto , em branco. Logo nas primeiras linhas e palavras eram sobre o pai. O  reconhecimento do pai, da figura masculina em minha vida. Venero. A ponta do dedo alisando a palavra como quem sublinha destacando em luminância o que me importa, é sobressaltado num momento único, vibrátil. Toco as palavras e elas me tocam. Regras do real.

Como quem cultiva jardim e mexe na terra. A expansão da casa, cemiterial. cultivava e ceifava. Acariciando raízes. Ser plantante. Sol e sombra no seu tempo, e a extensão estrutural das pedras. coberta de folhas soltas. Então, me deito. E, guardo este livro na cabeceira da lápide cintilante de sol. Vida também é póstuma.

 Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, março de 2026. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

 (janeiro de vento, fogo e madeira)

Passou lento janeiro , pausado, foi uma espécie de começo de obra, sabe, coisa passada empoeirada, entulhos espalhados e o projeto da planta sobre uma casa erguida, velha quase abandonada, mas com gente dentro. É que é do século retrasado e milhões de obrenomes habitaram os cômodos.  A terra chã. Muita coisa se passou. E aconteceu e com toda humanidade de horrores e um aproveitamento singular do olhar (a poética do existir)  Andamos sobre a terra, e demos início a algo que nem é novo assim. Que nem é nosso assim , como achamos que tudo é - e não é. Colocamos um pórtico na entrada. Feito de madeira e letra pintada a mão. As avessas de escritura de lápides de mármore ou granito, sabe? Uma placa nova de algo que nasce. Ou Renasce do que se foi. Como uma integração ao meio ambiente. Algo simples. Simbólico. Vento. Fogo. Madeira.  

Um monturo de memórias. Fogo que não se apaga. Nem no tempo nem na história dos passos dos gens nem nas águas das chuvas. É coisa que se encobre e se descoberta. E ilumina as coisas noturnas profundas e assustadoramente belas. O Tempo é este pêndulo que nos lembra o relógio de corda e cuco de madeira escura antiga na parede.

Fevereiro eclipsara todas coisas enterradas, ocultas, mesmo as sombrias de que todos já sabem. E não há espanto. Pode ser que haja caos crise mortes e exumação e tesouros - memórias- e claro, depois pode ser tb que haja renascimentos. 

Em sendo terra e água me diluo com vento, fogo e madeira. 

Alessandra Espinola 

Rio de Janeiro,  fevereiro de 2026.

Pequenos poemas

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