pássaros da manhã
de repente um pássaro pousa na bojuda cabaça sobre a mesa de madeira, outro no jarro de barro, e mais um na moringa de porcelana branca
os pássaros da manhã abriam as asas lentamene no ninho, sobrevoavam o cano da aurora sobre as casas, a família, a vizinhaça e a comunidade
o céu a_cor_dando azul, a luz cintilando nas paredes nas ruas nos olhos das crianças e nas roupas do varal, nuvens rastreando lágrimas antigas no fundo das moringas - paradas, prontas a secar como folhas soltas secas e bailarinas sobre a estensa mesa de madeira da casa.
o silêncio em nota maior, na pauta do dia a música dos pássaros da manhã inauguravam o concerto do feriado. o sol abria o concerto com sua batuta mágica. o espírito das ondas do mar banhava-nos a sede que não cessa.
água e vinho.
o filtro de barro de água e o barril de vinho
a cumeeira no centro da casa
a reunião na sala , café, raízes e a música , a flauta , a vitrola de madeira forrada de crocê branco
a mãe colocava agulha na linha exata do disco e logo as primeiras notas tocavam nosso coração
onde os continentes se aproximam e se encontram
todos tomados banho
portas e janelas abertas
a mãe, o pai sorrindo
os pássaros da manhã anunciavam a chegada do novo - que nem sempre era depressa, mas no lento brotar de sementes lançadas em vôos, cantavam a dança do dia, da luz que a nova estação pintava e era um suave toque dos ares, a casa se enchia de um novo fôlego.
Alessandra Espínola
(outono santo de 2026)
Rio de Janeiro, 03/04/2026.
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