domingo, 12 de abril de 2026

Folhas Soltas

Outono das Folhas Soltas:

árvores inteiras soltam o verbo 

de todas as cores, começaram com as flores liláses, azuis, roxas

brancas como as nuvens no céus, fatiadas como bolos de aniversários a serem distribuídas ao público infantil, 

hora de cantar o Parabéns!

Chegou Outuono, lua nova, algo renovando, novo que vem sendo gerado 

palavras soltando sentidos antigos de outras estações

palavras flores como armas de ponta-cor, engatilhadas de pensamentos -palavras -pétalas 

cheira esse gosto de músicas clã-clássicas atiradas no ar 

flautins flautas de barro chegando à Terra - via mar

aportando na praia os sons da orquestra marítma 

outono palavras soltas como incenso de ser sendo

escritas nas folhagens de outono voando no vento chegando no destino nutrindo o mundo

palavra é caminho, palavra é estrada palavra de mão dadas

encruzilhada crua que cura

                         corta a carne da ferida, suavemente,  dor guardada, abre o caminho sulcando a palavra como larva na terra

Desliza quente na ilha

palavra, larva que vira pupa e voa 

pássaros soltando penas 

bico arrancando à pena a pleno pulmão 

ritual feito se tira espinho na carne: a cruz cravada no peito 

arrancando a palavra calada : morte a ressurreição 

Colhendo Lázaro entre pedras

a leitura silenciosa: alíngua  procurando saida no céu da boca 

aplainando a mémoria

memória não é chão, é voo, trajeto errante percorrido . Aprendizado. Trilha de caminho rústico, árido hostil cru mata virgem

trafego aéreo para pouso arriscado  

Pista escorregadia 

Arremeter. Levantar flaps. 

voo cego acima das nuvens

memória é tapete voador no vento 

a torre de controle rntrou em contato

não estamos sozinhos 

Viagens para o estrangeiro

O amor é o passaporte

Mas não cobra passagem 

palavras ao vento a memória

a gente pega como as crianças pegam pipa voada . O teto é palco de comunicação,  telhado conexão antena parabólica parabéns paracelso parabéns pararaios 

as vezes pombo na asa do avião

acidente ao acaso

Pombo no vão da casa 

sempre foi preciso antes do ninho, do casulo do voo - o chão!

 

folhas soltas tem vida de chão, folhas secas tem sede de chão, folhas ao vento tem carência de chão

folhas tem fome de raízes e de novo chão.

Terra-chã tem ventre para vento fogo água

Terra clã , os ossos se levantam em palicadas,  exemplo científico,  barro em calcificação

tem corpo de lava de lua-vulcão 

 

Alessandra Espínola

Rio outonal, domingo de 2026. 

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Folhas Soltas

 Dentro da biblioteca as histórias saem dos livros, se levantam de dentro do silêncio humano folheando memórias e realidade - atravessndo as linhas escritas pelo tempo, as histórias contadas na escuta que vive junto, caminha e vira parte da trama como um ser do palco invisível.  

Da biblioteca escuto o cavalo correndo na rua, galopando na tarde nublada, silêncios.  Avança seus cachos no asfalto, vejo sua musculatura chicoteia a crina aos céus. Como um urro um grito. Cavalga a frente do tempo. 

Vira a esquina e some na estrada. O horizonte recebe o passado. 

Ossos tocando na tarde a ladainha da vida. 

Depois de uma pausa dessa orquestra de memórias e páginas relidas, outro cavalo na mesma direção, no mesmo asfalto, na mesma rua, seguindo o mesmo destino, só que agora com uma carroça improvisa a meia boca. Não menos pesada, mais vazia e menos elaborada com madeiras recicladas. Camadas pelo caminho. 

Atravessam o tempo,  o cavalo o que se acha dono do cavalo montado sem preparos sem aparos sem rédeas. Só o galope solto quase a esmo. Passam em frente a biblioteca. 

Logo depois o ronco do carro, das motocicletas e um som de uma rádio falante. 

A tarde se alonga, mas logo há vozes de criancas jovens, movimentação, dois homens curiosos se admiram e olham o ceu.  Um dorme e eles apontam e acononahm o drone passeando nos ares. Corre pra trás do morro...e some.

Crianças correm no meio da rua, gritam "mãe,  oh mãe " e como pequenos cavalos correm, quase voam no galope, mais ronco de motos, vozes se apinham ao redor. Um novo ciclo do dia. Pássaros cantam. E trocam assobios, pios e sassaricos. A orquestração do dia ensaia incessante. Todos a postos de novo. As crianças gritam como fossem aves!   As mulheres falam das novidades - corriqueiras. Algumas fofoqueiras , outras idiotas não sabem que são como bonecas de pano manipuladas pela fé. As idiotas perfeitas dos que se acham espertos. 

Sons de. Ferros que ranger, a muita a cortar e cortar cortar eternamente cortam o som espatifar no ar as coisas todas enriquecidas dos anos passados. O som da vassouras rascando a superfície,  o refrão do ronco das motos , os pio dos aves,  as árvores. A buzina das motos em re menor. 

O avião no meio, tenor na cortina cinza -azul deste palco aberto. 

O arrulhar dos pombos nos telhados. As casas. Os prédios.  As janelas abertas dos prédios que dá para o quarto, camas beliches e velhice postas nos sofás. 

Outro avião abrindo a cortina. Cortando os ares. Uma bicicleta motorizada atraveessa a rua na mesma direção do cavalo. E mais outra buzinando vai para o lado oposto, na contra - mão. Um cão late do outro lado da calçada, e outro e mais outro.... o passeio das motos aumentam, os roncom os pássaros. Vozes de homens. 

Um mulher passa café,  o cheiro exala. Os passos dela no gcao liso tem uma velhice e uma maciez , sons d'água. E a máquina de cortar recomeça a trinar e a zurzir azulejos, mármores, concretas superfícies. 

A tarde esfria. A biblioteca silenciosa escreve histórias, a mão da eternidade traduz suas digitais. 

Alessandra Espinola 

Rio, 10 de abril de 2026. 



sexta-feira, 3 de abril de 2026

Folas Soltas

pássaros da manhã

de repente um pássaro pousa na bojuda cabaça sobre a mesa de madeira, outro no jarro de barro, e mais um na moringa de porcelana branca

 os pássaros da manhã abriam as asas lentamene no ninho, sobrevoavam o cano da aurora sobre as casas, a família, a vizinhaça e a comunidade

o céu a_cor_dando azul, a luz cintilando nas paredes nas ruas nos olhos das crianças e nas roupas do varal, nuvens rastreando lágrimas antigas no fundo das moringas - paradas, prontas a secar como folhas soltas secas e bailarinas sobre a estensa mesa de madeira da casa. 

o silêncio em nota maior, na pauta do dia a música dos pássaros da manhã inauguravam o concerto do feriado. o sol abria o concerto com sua batuta mágica. o espírito das ondas do mar banhava-nos a sede que não cessa. 

água e vinho.

o filtro de barro de água e o barril de vinho

a cumeeira no centro da casa

a reunião na sala , café, raízes e a música , a flauta , a vitrola de madeira forrada de crocê branco

a mãe colocava agulha  na linha exata do disco e logo as primeiras notas tocavam nosso coração

onde os continentes se aproximam e se encontram 

todos tomados banho

portas e janelas abertas

a mãe, o pai sorrindo

os pássaros da manhã anunciavam a chegada do novo - que nem sempre era depressa, mas no lento brotar de sementes lançadas em vôos, cantavam a dança do dia, da luz que a nova estação pintava e era um suave toque dos ares, a casa se enchia de um novo fôlego. 

Alessandra Espínola

(outono santo de 2026) 

Rio de Janeiro, 03/04/2026. 

Pequenos poemas

1. Manhã fria Sol se demora a levantar Névoa cobre o dia 2. Céu limpo  Caminhão na avenida Cata o lixo 3. Crianças na escola Algazarra no pá...