O chão se move corrediço. Tábuas tacos alvenaria telhas terracota.
Camboja-Brasil.
ah, chove com raios duplos! diria meu irmão.
Toco o teu rosto como quem escultura , modelo suavemente este barro, argila carnuda diluída pelo tempo, pela passagem dos leitos dos rios e pela travessia das margens, toco a cabeça e a face do que se põe em nascimento, abre, abre a vulva! diz a mestra doula do criativo em mim, concebível, visceral, humana, telúrica e não menos divina. Ancestral assim genealógica, livre, libertadora de gerações pra trás e pra frente, sim sensual, rebolante, e cirúrgica - e como disse Machado de Assis (o Bruxo!) "não tive filhos, não transmite a nenhuma criatura o legado de nossa miséria!". Aqui o basta, do lado feminino sim, não por não ter filhos, pois que o tive e tenho muitos! Mas pelo lado feminino de minhas raízes o basta, aqui acabo com essa chacina. Com essas podas desnecessárias, com as raízes apodrecidas, com os daninhos filamentos. Aqui em mim comigo chega! E sim, tomara por vontade própria tenha já nascido ou que nasça um homem que se levante e faça o que a vida já tem explicitado como um ventre a céu aberto. sobre carne viva, exposta, sobre túmulos e sobre covas , -sobre os filamentos-, filhos e netos e gerações futuras. Que algum galho que seja estanque essa sangria e pare, que venha este homem. que venha esta nova consciência. Que pare! em seu caminho de caminho escolha o novo, o céu aberto (pelos ventres, pelas vulvas, pelas mulheres, por si mesmo e sobretudo pelo novo homem que todas tem tentado parir e cantado pela boca pela garganta dos poetas)e no sentido mais profundo de toda essa horda, construa o inédito do passo e dos rastros. Que a Estrela Guia brilhe sobre os nomes(sobre os sobrenomes), amem.
Quando chover , for pra levar ao centro das raízes, arrancá-las e lavar. Lavrar a terra - a palavra, a escuta, a escritura do ser, o silêncio, (e o passo lento dos ciclos movediços) cultivar , cavar, , cortar, arrancar, revolver, cuidar, nutirr- curar, semear, , cultivar, plantar e colher. Recolher. Reorganizar.
Como as chuvas de Camboja, o Brasil ítalico nas letras.
Como nos antigos ensaio de balet com a professora Beth ao som de Tchaiccovsky, na diagonal! na diagonal como um corte fino de bisturi a laser (tem a especificidade que não precisa de contato físico). e, na diagonal como dança clássica como é feito cortes de raízes e caules. no bisel. E, como se corta DNA, na diagonal, bebê, na diagonal!
Em processo de extração e dissecação...
Alessandra Espínola
Rio de Janeiro, outono de 2026.