Folhas soltas
como chuvas no verão, as palavras caem no telhado, e salpicam a casa de lama, barro, água e terra, vai-se salpicando as paredes, trabalho de pedreira - largamassa, construção à mão, colher à palma quente da mão a água fria das nuvens, dar mais liga com sova, saliva suor, como quem saliniza a massa do pão. chapiscar a parede que se levantou em dias secos de sol. o texto corre passado a mão , aliso a parede bezuntando com folhas soltas catadas no chão do terreno da casa velha, chove, o tempo úmido traz a lembrança da demora e da esppera. nesses dias anoitece rápido, e as palavras se re_colhem mais cedo, coadas a bordo de uma xicara de chá de folhas soltas que fumega, afaga e cura.
Alessandra Espinola
Rio, 11.03.2026
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