Folhei algumas páginas do livro do passado. Delicamente, num gesto humano e macio. Virei algumas folhas frágeis, as mais antigas, as primeiras, prefácios e uma filha de rosto , em branco. Logo nas primeiras linhas e palavras eram sobre o pai. O reconhecimento do pai, da figura masculina em minha vida. Venero. A ponta do dedo alisando a palavra como quem sublinha destacando em luminância o que me importa, é sobressaltado num momento único, vibrátil. Toco as palavras e elas me tocam. Regras do real.
Como quem cultiva um jardim e mexe na terra. A expensão da casa, cemiterial. cultivava e ceifava. Acariciando raizes. Ser plantante. Sol e sombra no seu tempo, longa demora. Mas tudo é da espécie.
Alessandra Espínola
Rio de Janeiro, março de 2026.
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