foto da internet
[Prosa baseado na pintura "Interior" de Vilhelm Hammershoi ]
Aidé chega em seu aposento antes da luz do dia acordar todas as sombras noturnas que ainda dormiam no silêncio. Alguém acaba de sair e fechar uma porta ao lado sem ter dado tempo de se despedir. Aidé viu uma carta endereçada em seu nome que a esperava sobre a mesa. Acamou a carta em suas mãos como um silêncio que gritava, um segredo tumular e desdobrou a carta com a delicadeza de quem pinça detalhes do vazio que se expõe e, com o tatear de quem lê em braile sente a fria realidade tocando sua alma. lendo a carta, descobriu que sua mãe morrera. Ali, em seu interior, diante do tempo austero e do tampo da mesa realiza o velório da mãe. Fecha a carta num gesto sepulcral. E, envolta da luz fria de inverno, Aidé contorna a mesa, abre a porta a sua frente, e recomeça o dia.
Alessandra Espínola
Anotações:
Pergunto ao narrador que observa: quem é o meu personagem e o que ele deseja? o que ele não sabe sobre si mesmo? qual o desenrolar do futuro? qual próximo passo? quais ambiente a história avança? quem mais entra na trama?
Rio de Janeiro, 14/08/2026.

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