O samba de chão exalta a vida nas gentes
(e nos leva a voar pelos céus - a metafísica da raíz do samba?)
A tarde chega, e o longo evento do almoço se estende, passa o moço das tardes doces e a buzina avisa que tem cuzcuz, bolo, cocada... a moçada corre, se alvoroça , a tampa transparente do olhar das criaanças desclaças brilha o mel da vida. a mão cheia de buzina agora entrega no papel branco o bom pedaço de cuzcuz branco na mão do menino que arregala ods olhos como se fosse comer de ver. Si, as crianças saõ comedores do ver.
No andar de cima, ouço os passos corrediços e pululantes da criança que parece se divertir, o corre-corre na sola dos pés, do sangue nas veias da comunidade se revela em todos os cantos, cômodos, escadas, becos, ladeiras, curvas, vielas, casas à luz dos sentidos exaltados, alertas e as vezes despercebidos, Sorrateiros, Silenciosos. Escondidos,
O cão late, a moto vive a passear pelas vias, são cotidianas rodas perdidas.
O samba toca travesso e é fundo musical e figura atravessada no coração do sábado:
"Quero sorrir
E o meu sorriso não existe
Quero explodir
Essa vontade de viver
Quero chorar
Lágrimas de felicidade
Quero sonhar
Um amor de verdade"
(Os Travessos)
O som da vassouras rapsando o chão, gritos de crianças agora em divertimentos e risos. A excitação do agora. O coração tem o viço da tarde. Pratos e talheres se chocam sem confronto, mas em hamronia e sossego. A consciÇência agora se aplaina, saciada a fome. A paz reina na casa. As discussões cessaram.
A maquita acelera o ritmo e corta o concreto samba que estrtura a comunidade de dia. Sempre uma obra sendo feita. Mãos à obra, mão que tocam... teclado, atiram, costuram, cozinham, cortam, bordam, batem tambor, que massageiam, quebram, jogam, mãos no barro é o que não falta aqui.
(Não percebem que é só fome de corpo, de diálogo, de presença. De instintos saciados) O samaba reina agora e ence a casa transborda os muros, se po~em a cumprimentar das janelas e entram pelos portões o samba esse malandro lord que abraça a todos sem violência, só o lirismo poético como um homem de terno que atravessa a cidade vindo de terras além.
Aqui, na comunidade, sábado é dia de babado, uma gralha grita e voa no céu cinza , úmido e frio de inverno ao som do pagode que canta "Ô Ô Ô, ÔÔÔ, o Ah!
"O dia já raiou
Vou embora
Ah! O dia já raiou
Vou embora"
(Exalta Samba)
Rio de Janeiro, 22.08.2026;
Nenhum comentário:
Postar um comentário