quinta-feira, 6 de outubro de 2011

fiel da lâmina

...ondas dobras de cada digital é fulcro cortado à faca de cada hora como um ponteiro cravando o tempo na carne cadáver que uiva ponteaguda levadiça traçada a pulso até quando os rios  cilindram nuvens e barcos toca meu barco a palavra tua a minha palavra que na boca arde alabaredeada num inferno de herodes e ades, arde essa candelária nesse candelabro de flores incendiárias flores plantadas no silêncio caótico da memória turvada em altares para plantas dos pés apanhados no encalço dos filhos o fôlego das ondas o fôlego dos olhos encantados nos galões onde são incendiados até a pupila fulgente no topo bebo o cálice da noite espanto fantasmas de tua lua nave louca ó terra te penetro com meus tambores atabaques agbes sabres e essa canção de cascos de crepúsculo nos cabelos como crina escarlate que sorri a beleza e tudo viceja e a ti viceja com ternura mais crua bêbada e pura sobre todos os teus espasmos...

Um comentário:

  1. um escarcéunário de sons e imagens. a recriação da palavra. a reincorporação do narrativo na concisão da poesia. belo.

    ResponderExcluir

Investigo as vértebras da noite. Entre as fendas do tempo como escorpião espreito de soslaio a vida transitando pela casa. Pelas ruas. Corp...