sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Era...

Era tão fresca a palavra na tua boca poço âncora e pássaro engomado de abismo e absinto o bico escaldado de lua e tacto. Era tão fruta a palavra nos teus lábios concha peixe fósforo lagarto a lareira em cima da goiabeira era flor nas mãos do tempo era aroma o hálito mobile do terreno vadio e era vulto a roupa no varal. Era sonho de cacto seco. Eram perdas na parede de retratos e a cômoda fria anunciava a missa de todos os dias acender velas a fantasmas. Fonte tua língua malévola me leva cheia de gente como quem anda pelas ruas e viadutos sem texto


..................................................................................................................agora o túnel
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penetro veias silenciosas da nocturna cidade de lembranças onde nascem o riso e o pranto parto ao relento. Era moinho o tempo do exílio e das andanças sertãolitárias. As crianças...ah, as crianças com os olhos atônitos nas gelosias e as respostas fugindo na sombra do beco. Era fresca a palavra entre teus dentes uma fábula um mito selvagem lenda viagem na fresta viva do tempo.

Um comentário:

  1. a palavra muda. penetra a alma. os recifes não conseguem conter o que da palavra vem. ela exala. exaura. extrapola. extavasa. e vasa como uma bacia no cio. da palavra verte toda a poesia da goiabeira. aos gritos...

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Investigo as vértebras da noite. Entre as fendas do tempo como escorpião espreito de soslaio a vida transitando pela casa. Pelas ruas. Corp...