segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Outubro

Viver outro rumo na dimensão do que não se fala. 


Setembro se foi e é quando setembro se vai que tudo recomeça, outubro penetra com seus ventos rubros m_ares, alpes e fundos de ilhas, ventila sabores entre os dentes que sabem a mordedura e a carne a cica do fruto amargo assíduo o dente sabe a língua que destila venenos na ponta de garfos amor tecendo o crepúsculo que se rarefaz cansado e árduo, outubro tinge arbustos e a curva suada da mama, nascedouro dos ventos de aurora concreta real e a mais distante engasgada lembrança é pinçada na lama da larva rara dos mitos e como água outubro lança-se na trama da rede noturna de névoas num ondular de guelras e fontes, outubro é cl_amor de guerra e de levadiças pontes.

***

Setembro pra lá. Outubro à cara. A palavra escangalhada de vida encarna a viagem fecunda. A íntima carranca escancara taça d'água e navalha que tudo falha esfalfa esfarrapa. Espatifa. A palavra se desnuda nas entre rugas do caótico e do desordenado ciclo de galáxias. Via morosa e gasta. A palavra nua na fundura das sílabas lábias sinuosas. A palavra anda desanda saranda à margem das linhas linhos seda e renda onde o sentido engana inebria calibra caligramas e desvenda. A palavra muda desnuda usa e desusa deusa andando andromeda e diários dromedários desdomesticados por dálias didascálias rosas lírios magnólias orvalhos. Outubro tremula vento táctil em tetos de amianto zunindo gargantas tentáculos veias ventanas nuances antenas  falas e falenas.

Um comentário:

  1. navalha na carne. se sente o corte fino na couraça. no coração. a palavra feito lâmina. a alquimia da palavra com o olhar-ruptura. a poesia prosa em universos onde as borboletas dançam nos brejos...

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