segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Instâncias 1


Eu no fim de mundo que é onde tudo começa a ser novo, com todos os silêncios, com todos as coisas que se enfiam no fundo e findam e estroncam novas em forças como as árvores em tocos que foram queimadas, com todos os finais e pontos de interrogação, com todas as coisas que virão a ser eu sei desses verdes embriões e brotos me servirão de ser valentia de vida multiplacada! com estações fora de época  atravesso terras, estou de passagem eu sei! na cordilheira das curvas, no cais de todos os santos eu desaponto os ais clareiras na escuridão da mata fechada , respiração, onde só os bichos escutam e assustam o breu de ser um eu estranho aí o tremor que dá a música própria o batuque o atabaque o tambor no esterno no fundo interior do peito eu palpite.


II 

Essa palavra escorregadia pelos anéis da vagina vibrando vulva a palavra sua cica e cítara soando guitarra pelo ralo pelo beco a pólvora a plástica palavra fiandeira na boca nas mãos no corpo das mulheres ancudas âncoras de tempestades com suas ilhargas desembaraçadas dançando luvas essa palavra acesa ardendo na língua nos lábios chupando dentes como os homens sentados nos botequins com seus cansaços no colo e suas caras vermelhas afundadas nos seios das mulheres que dançam samba canção da tarde esquecida inebriada essa palavra arredia como um cavalo brabo um touro um búfalo se entrechocando nos campos baldios.


III

No casco e na fonte escarlate antares volatiliza os ares e o blefe estampado em nossa face a face lá fora ancora tua fala flama onde palpitam os instantes afogados a fogo pela mais inóspita e delicada rosa.


IV

Nem tudo é aurora ora se tudo fosse amora ave ria marítima das horas beberia a onda de cada gesto dançaria algas e se desenraizaria no mergulho da luz viva das águas e anemonaria o grito os ossos as cinzas o pensamento inacessível de todas as palavras só o que há é perigo o estourar dos tímpanos timbres férteis da fibrosa quentura da carne e da tíbia de um poema o torpor faminto a sede do aquário transbordando fractais no percurso do sal da entranha e na eternidade da chama.

Um comentário:

  1. a palavra pólvora -
    em polvorosa
    fosforescentes
    pétalas róseas
    arriscam um vôo
    crepuscular
    na paisagem lavrada

    - a vida em tramas -

    a pólvora crispada
    não acende a metáfora
    inflamável

    - de enxofre carvão salitre -

    a palavra explora
    explode excita
    extrai

    o amálgama de estanho
    para espelhar o vidro -
    se quebra

    risco o fósforo
    e nada

    - pá de cal sobre a palavra -

    [ o polvo recolhe seus tentáculos ]

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Investigo as vértebras da noite. Entre as fendas do tempo como escorpião espreito de soslaio a vida transitando pela casa. Pelas ruas. Corp...