terça-feira, 26 de maio de 2020

Terceiro dia noturno:

Abrir a janela e dar luzes a todas as estrelas penduradas no teto. Lustres celestes. Consagrar a lua na casa da noite. Acender olhos de gatos farol furta cor. Desvelar a dor. No tato. Mexer no barro noturno livremente como morcego que sobrevoa o som. Sonhar bem debaixo do nariz. Dar fôlego ao peito e passo ao caminho. Tramar a rede de retalhos e um corcel de peixes. Parir cardumes de ondas no mar. Ventar suavemente o veleiro. Ultrapassar a margem e revolver o rio ser leito. Luar embarcado nos olhos. Nuvens neon. Num pedaço de espelho ver me a olho nu. Pretéritos e futuros se habitam em lampejos num dejavu. Abrigo de ser clandestino no peito.

Alessandra Espinola

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 Folhas soltas como chuvas no verão, as palavras caem no telhado, e salpicam a casa de lama, barro, água e terra, vai-se salpicando as pared...