lua nova
a velha arrasta
o chinelo no chão
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entra sem pedir licença
pela janela do quarto
vento de outono
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homem na rua
mexe no lixo
e acha o que comer
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mototaxi
à espera de freguês
bate papo com colegas
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É noite. Volto pra casa
Com minha colheita
_ a lambida de um cão
rio corre... corre
atravessa a praça
leva a bola dos meninos na pelada
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no caminho
esses crisântemos -
lembro-me de ti
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o jardineiro
na manhã ensolarada
cultiva alegrias
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alma passarinho
meu ninho é dentro
altíssimo esconderijo
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arco e flecha a ponta da asa
com rabo de cavalo
galopo tempestade
Alessandra Espínola
Rio, maio, 2020.
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