Visitar as entranhas do inferno, vivê-las, transitar como quem anda da cozinha para sala. co'a intimidade de quem levanta da cama e vai ao banheiro de porta aberta. território intimo e coletivo, absorvência existencial, substrato humano tão nosso, substancial fóssil, geologia uteral, sementes do fosso, toda essa gente nascida do caos, dos undergrouds, da dissolução total de qualquer possibilidade e esperança, becos sem saída. buracos sem fim. túnel sem luz: atravessei como que acautelada - na tentativa tátil e vertebral, , em mim contém o silêncio e o fim, o vazio e o vão. ser de chão e céu, composição genealogica débil, decomposta e desintegrada dos tempos. Reconstrir-se na abertura das novas estações. Crescer a piso de montanhas, levntar pesos sob pedras, enraizar no que é, própria, indissociável, singlar, única. Suportar os ventos absurdos, fruttificar robusta no abandono do visivel e na audáci da solidão. Do isolamento como quem pinça cada cílios, quem datilografa e fotografa em cada piscar de pálpebra , cada tempo atravessado no infinito. Reestruturo as vertébras e a engenharia dos gens. Costuro a roupa dos átomos. Reedito movo estilo de vestimenta. Teço e desteço e teço longo bordado da vida, na trama invisível da vida, do corpo, do ser do mundo. Reconecto os fios eletrônicos da matéria, da medula, das vértebras, transito pelo sangue da humanidade. no silêncio, impulsiono a vida em novos lumes de Sol. Agulha que penetra na veia e costuro a trama - do destino - dos átomos. Transito e habito o vazio fronteiriço dos átomos. Ser ponte e passo Repavimentar a travessia. Da entranha ao córtex.
Rio de Janeiro, bairro de Olaria, inverno de agosto e setembro de 2026.
Alessandra Espinola