Fragmentos
(Textos inéditos, 2021)
Vem, lhe mostrarei a hora das seis, quando mamãe silenciava e ouvía os pássaros em revoada aos céus. O olhar perene, sério e lminoso como uma chama de vela acesa na chegança do noturno céu que se pronunciava. A mesa preparada, toalha de mesa de renda branca esticada, as mãos postas tocando as nossas espaldadas e unidas. A firmeza da sola dos pés no chão, sim sentavamos álacres e eufóricos, às vezes com alguma impetuosidade agressiva e corrediça, ajeitavamos a poupa da bunda na cadeira de madeira dura curtida, o cheiro de plantas, sabe? ervas aromáticas. o aroma recendia nas tardes, quando a noite ia caindo, chegando as 18h, me sentia num bosque, quando a luz do sol se põe sobre a superfície das coisas e tudo tem um brilho de ouro velho, me sentia caminhando numa mata de terra segura bem plantada de árvores, sentia o coração sobrevoando eras passadas naquelas tardes de tapera. A pausa, o pulso na hora das seis, o silêncio, a canção, a visão do pássaro... Ah a paz ! A paz no suspiro de vida que entrava pelas narinas. O_culto ao coração. A revelar a alma.
Alessandra Espínola
Rio, 26 de outubro de 2021.
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