Minha vida - esta matéria de mim é lama de jirau. Lodo na pedra. Imperfeição e verbo perecível. Cilada e sombra. Poço uníssono. Escuridade encarnada. Reluzente orvalho precipitando a queda na noite. Tumulto agônico me engolindo. Vasto penhasco para o nada.
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Manhã de inverno,
Da ponta do morro, - escorre -
Filete orvalhado de saudade.
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Por entre as flores roxas do ipê
Silêncio
É lua crescendo
Rio, 24-08-2017
Até aos 20, valeu? Até aos 30, valeu? Valeu a vida ate aos 40? Me perguntei hoje. E silenciei, sepulcralmente.
É absurdo que ainda amanheça.
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Às vezes minha mão se mistura às cinzas do carvão, ao pó do grafite, à pontiaguda escuridade da noite. Meu olhar é um giz riscando o vazio.
Rio, 12-07-2017
Alessandra Espinola
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