São cantos sísmicos vindos do mar.
Areia se levanta movediça numa cartilagem lenta.
O barro ressacado em fósseis. Nem uma cantiga faz ninar.
Insônia a cratera do crânio como um oco do corpo a balançar.
Não há berço esplêndido pra gente grande. Cova a seu aberto.
Pario duro ser pária na história. Escória. restos mortais de me parir de pé.
Escolha é quase escola. Sempre disseramna ortografia que H não serve pra nada.
Quero ver no hora! Na bomba! Relógio... Cantiga é quase castiga! Que a cuca vai pegar.
O boi tá coa cara feia. Cuca tá coa corda toda. Toada de boi vindo, com os olhos de fome.
Todos famintos e já ninguém sabe se sorrimos ou rosnamos.
A vida é puta nós somos seus clientes. Nos emputecemos todos.
(viramos sum bando de arromabados, isso sim, arromabam nossos cofres, nossos fundos, nossos territórios, até nosso espaço celeste, oceano e os caraleos)
Pagamos caro e nem deu tempo de fazer tudo o que eu queria. Gozar ainda é pouco.
Isso tem tempo contado. Içar vela e navegamos em alto mar, gelado, uma tremente luz no final corredor do túnel, aponta no horizonte o sol
Tateio o barro. Numa primitividade de nada entender. O barro no forno ainda da olaria.
Sovado pelas mãos do tempo. Em exercício de escrita e escuta.
Contemos com o quê!? Não há com quem contar. Mas contemos dessas navegações. dessas devastações.
Os mapas, os gráficos indicam mais caminho a frente. sigamos, pois!
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Hoje o silêncio anda me subtraindo. modelo a argila nua.
RJ, fevereiro de 2018.
Alessandra Espínola
Texto revisitado no inverno de 2026.
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