segunda-feira, 27 de julho de 2026

[Revisitação de texto de 2018]

 São cantos sísmicos vindos do mar. 

Areia se levanta movediça numa cartilagem lenta.

O barro ressacado em fósseis. Nem uma cantiga faz ninar. 

Insônia a cratera do crânio como um oco do corpo a balançar. 

Não há berço esplêndido pra gente grande. Cova a seu aberto.

Pario duro ser pária na história. Escória. restos mortais de me parir de pé. 

Escolha é quase escola. Sempre disseramna ortografia que H não serve pra nada. 

Quero ver no hora! Na bomba! Relógio... Cantiga é quase castiga! Que a cuca vai pegar.

O boi tá coa cara feia. Cuca tá coa corda toda. Toada de boi vindo, com os olhos de fome.

Todos famintos e já ninguém sabe se sorrimos ou rosnamos. 

A vida é puta nós somos seus clientes. Nos emputecemos todos.

(viramos sum bando de arromabados, isso sim, arromabam nossos cofres, nossos fundos, nossos territórios, até nosso espaço celeste, oceano e os caraleos) 

Pagamos caro e nem deu tempo de fazer tudo o que eu queria. Gozar ainda é pouco. 

Isso tem tempo contado. Içar vela e navegamos em alto mar, gelado, uma tremente luz no final corredor do túnel, aponta no horizonte o sol

Tateio o barro. Numa primitividade de nada entender. O barro no forno ainda da olaria.  

Sovado pelas mãos do tempo. Em exercício de escrita e escuta.

Contemos com o quê!? Não há com quem contar. Mas contemos dessas navegações. dessas devastações. 

Os mapas, os gráficos indicam mais caminho a frente. sigamos, pois! 

__________ 

Hoje o silêncio anda me subtraindo. modelo a argila nua.

RJ, fevereiro de 2018. 

 Alessandra Espínola

Texto revisitado no inverno de 2026.

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