quinta-feira, 30 de julho de 2026

[anotações inverno de 2026]

inverno do fim de julho de 2026, à tarde seca e nebulosa no centro rotundo do Rio, 

o trânsito com suas buzinas, arranhões de nuvens no céu, 

o motor do helicópetro trepidando nos ares alertando desde a manhã cidade

quase que criando um moinho de dúvidas e questionamentos

mosquito gritando fino n ouvido - todos sem sossego  

de lá pra cá, e pra lá um  monte de gente passos rápidos cabeça baixa, curvatura a frente, e o celular à mão 

quase todos, celular quase como um objeto de andador,

sentada, contemplo o ritmo dos senhores dos passos, as pessoas atravessando o calçadão, o mercado no chão, as obras , as placas, os guardas, os novos guardas, a pipoqueira na esquina, a fumaça do óleo se espalhando pelas narinas, alguns homens sentados nos bancos de cimento, olhando para o outro lado da calçada em algum pensamento , reflexão, dor, sentir que a ninguem fala. alguns usando celular de forma voraz. 

o metrô por debaixo de nós atravessa veloz, o tremor no chão nas paredes e nas calçadas, o vento subindo pelo chão subterrâneo. 

levantei e logo me pus em cima do chão de grade a sentir o vento subterrâneo me desventindo toda numa dança comigo , quase me toma no colo me eleva leve  e entra em meus cabelos subindo livres...

metrô passa debaixo da gente , nos túneis sbterrâneos  em linhas bem escritas, o ar tb circula ali-aqui, sentei novamente e as folhagens mais amarelecidas vianham correndo virando a esquina, a terra e a poeira das obras pintaram tudo de uma película de branco cádmo com cinza titânio

dançavam as folhas de outono pelos ares, saindo da copa das árvores

um remundo de tempo 

diante de mim se levanta um redemoinho de vento areia folhas seixos sacos plasticos e tempo,

saci pulando a borda, prédios se lançando em pedaços pequenos a dança do caos 

pensei : lá vem tempestade

meM direcionei ao Teatro Municipal, estava fechado, e me deparei olhando, olhava com o coração batendo, dois homens vestidos de terno preto abrem a grande grossa e pesada portas de madeiras e disseramm: entra, aqui você está segura, seja bem vinda. fica aqui. e me puseram atras deles e surgiram outros nos quais me rodearam em defesa e proteção até que tudo passasse lá fora. eram provavelmente os segruanças e porteiros. O chefe chegou e brincou comigo. Me dispus sorrindo e claro como boa convidada em tempos de guerra e amor e arte, a colaborar se precisassem. não fiz por menos e o que eles apenas precisavam naquele momento era que eu escutasse. 

sentei e apenas observava o que antes parecia estar dentro de todos nós, o ápice , o cume, a agonia, a angústia, o tormento,, a angústia, a dor, o sufocamento de turbilhão de coisas sentires e dessabores,  o vetor reativado, os seres erupicionados por dentro agora espelidos soltos pora fora

o que não foi ou não pode ser dito pelos homens em silêncio,

o grito abafado , o soco seco do corpo e o desesepro da mulher que ano antes se jogou nos trilhos na frente do metrô

a linha do horizonte diante do tempestivo se apagou

as emoções em alta voltagem no cerébro,

a energia acabou, os sinais de internet cessaram, 

é viva a esperança em outros moldes, em outras formas, 

transborda a vontade de liberdade dos trabalhadores que saem correndo de seus postos , exaustos, mas se expõe ao perigo do externo, pelo impulso impasado de sobrevivência. é comum correr - a medo, pavor, pânico, perigo. a entrega as emoções, a vontade de voar, superar as densas nuvens e flanar acima do caos

o vento levava coisas e traziam outras, pensei, quantas gente imigrando, se mudando pra longe otras terras, nativos indo, novos estrangeiro chegando, pessoas de longe que sabem e podem contribuir. outros indo embora de vez, pelos ares, outros se aproximando e outros rompendo afastando. 

antes disso, foi preciso passar por ele, esse cótico ritmo existencial, ninguém se recupera disso, já aviso, 

sentada olhava a beleza que também havia  ali dentro, que ora é dentro de todos e ora se expressa fora de todos nós , de algum modo. a dança dos ventos, a lua implacavel oculta de névoa e nuvem não se mostrava ainda, entronava seu caldo grosso , bufava desaforos por ecrto, os homens correndo, as mulheres gritando. 

cruzei as pernas, minha lombar doía, e num jeito prozaico sorri 

e conclui: de nada precisamos, senão navegar. lembrando nosso poeta Fernando Pessoa que alerta para possíveis técnicas, cartas de navegação, previsões, cálculos matemáticos, alguns gráficos, já que a vida é em si totalmente inusitada incerta insegura instável e feita de imponderável . 

logo a brisa fresca se cria como um mãe que nos afaga doce, leve, fresca a face, sorri mais uma vez, a copa das árvores se aclamarm depois que os frutos cairam, aviso: os frutos que caíram não foram ao acaso, estavam em sua hora e tempo de cair, cumriram se ciclo de estaações no galho daquela origem, sejam podres, maduros já estavam a postos de soltar suas sementes, e o vento só foi a mão o braços em ciranda que os tomaram e os acolheram de volta à terra. nada há de espanto, há de grandiosmanete belo e vivo.

nada deixou de ser o que é, apenas naveguemos, em novas formas e expressões de Ser. o sol deu lugar a dama da noite , cheia pelna no manto azul marinho e o vento abriu as cortinas celestes , era festa reunião de estrelas , planetas satélites, e ali sentada eu era a convidade para esta orquestra de tamanha feita bela e elevada. e todas as luzes do jardim do teatro se acenderam, a energia voltou, os sinais retornaram, a folhagem dos cocqueiros se puserem retos, honestos em sua essência. todos os animais abrigados sem sombra de instintos, as nuvens densas dissipadas e assim na cidade, na terra e dentro de nós foi e é como no céu.

Dedico este texto a todos que partiram de suas casas provisórias a sua casa essencial. a volta aquilo que realemnte somos . ao tempo das estações que se vão findando, ao tempo do fruto que cai e continua seguindo seu curso no tempo. somos tempo, ciclos, 

Sentada nas escadas do teatro via as sementes atravessarem no vento o espaço infinito  

a noite chegou e a orquestra sinfôncia se apresentou ao som de cordas sopro percursão, entrada triunfal da musa bailando no alto da abóbada , o violino e o maestro celebrando as tempestades, ah esse concerto clássico! Depois do caos.... você sabe! mas navegar é preciso, lembre-se! como lidar , como !atravessar! passar pelo caos, pela tempestade.

ao som de romeu e juieta e outros cantos, a platéia se emocionou, sublime, e contemplei o voo dos anjos e musas venusianas dançando semi-nuas acima das cintilantes nuvens

 o tapete vermelho se estendia a todos para devida passagem de cada, as escadarias iluminadas a saída do povo, as portas abertas do universo, ali cada país, cada continentes , cada povo se reune, circula, celebra, ama , cria, inspira, chega e se vai . é rotunda a vida.

 [anotações, 29 e 30.07.2026]

lua cheia em aquário, sol em leão. re-encontro de gigantes. finalizacões de ciclos e renascimentos de outras estações. sim, morte e nascimento. quedas e surgimentos, sim, sementes que não fincou e outras fertilizações, sementes viajando e já plantadas, como semêm e óvulo na confusão do caos da vida, agora esperar os novos frutos, as novas formas de ser, a beleza está na entrega e aprender a dança da vida. se humildar diante do imponderável que é fluir, diluir integrar com o todo. sol e lua abraçam todos os seres. com seus braços de vento e terra. um deseeto onde tudo muda o tempo todo, a vida é miragem e ainda assim é tudo , é este todo em estado infinito de transformação. 

lua cheia em aquário sempre penso que é como uma mulher gravida de imesa barriga parindo violentamente um novo ser para vida. ainda que o que nasça morra ainda assim vive de outra forma, sempre se morre um pouco quando algo nasce e sempre se nasce quando algo /alguém morre. é uma forma poderosa de todos viverem gestação e a_parição. depois tudo se acalma. se enterra.... e com paciencia e cuidado de estufa se floresce, até a primavera e verão , cumpre-se o resguardo. e colheremos o perfume das flores. A natureza é imperiosa. E estamos em seu reino convidados dessa anfitriã sábia e majestosa de beleza e integração.

Rio de Janeiro, inverno de 2026 

Alessandra Espínola 

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