O caminho da escuridão e da luz. do corpo nu e do não corpo a olho nu.
O caminho do SER
O êxtase me acompanha em cada detalhe, nas cotidianidades, nas zonas noturnas - do tempo-, do trânsito da vida, nos subterrâneos de mim, nas zonas impenetráveis de meu ser, no fogo de monturo, na zona longíqua da lua, no solo e no subsolo de que sou feita e habita em mim, na gosma que sai da lesma e caminha sinuosa lenta pela parede do muro da casa.
Reencontrei no corredor, depois que passei portão adentro, o brilho deixado no caminho como uma trilha de diamantes e me enchi de êxtase, de uma surpesa alegre e molhada, de um gozo, de uma contração lúgubre, eu amolecida e pasma. Os cantos úmidos do corredor da vila, a luz acesa me esperando chegar tarde da noite, uma lesmona gosmando meu tempo. Memória e sensação. lento movimento do cuidado.
Abri a porta, e estou em casa. Meu privilegiado jeito de existir. É morrer para o mundo - "lá fora". Dormir. Repousar. Decantar. Desagrupar. E viver, renascendo, para mim vida dentro - no quartz da Hora ou da Hera, no quarto quazar pulsante entre o ser e a possibilidades de vir a ser.
É noite. E a luz não extingue, ela repousa, se aninha, no núcleo sanguíneo de mim, no coração do indizivel e do inominável e do imutável Ser - e perfeito por ser tão multiplo, livre, imortal e infinito. Nada há que se temer a noite, nem o dia, nem as horas escuras dos meses em que a noite dura e cala e observa a zilhões de anos luz dentro da lentidão da lesma.
Boa Noite, para você também!
Alessandra Espínola
Rio de Janeiro, inverno de 2026.
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