Gente com gente sê paz!
No voar azul do céu
Vira rouxinol
eu queria te fazer um girassol, um girassol não, um mundo florido roda gigante que ginga em oito fazendo a gente vertinar. queria te trazer de onde eu sou um estuário, não sei definir estuário mas achei palavra bonita de se admirar e colocar todo mundo que a gente tem gosto forte. queria te fazer uma faca e uma fogueira dentro dos olhos que qualquer vento incendiasse palavras inteiras que saíssem da boca como chaminé que sobe pra baixo, eu queria te beijar inteiro nascendo unhas lentamente entranhando barro e formas infinitas, eu queria a tua presença sonolenta na varanda depois das tardes de sol percorrendo ladeiras e grandes praças, te queria araucárias, acácias e devolver cálcios aos teus ossos secos destroçados, queria um poema inteiro que me completasse um pouco nessa noite em meia lua
alessandra espínola
que saudades da aurora da casa velha
dos dias em que ficava debaixo da goiabeira
ah, estou para esse rosáceo vivo e este aroma de ir longe no fundo das gentes...
aquele silêncio que descia pela escada da casa velha
e amolava facas sob a luz amarela do barraco do pai
saudades do terreno escorregadio
e das folhas de graviola que me faziam sombra
brisa me sou ao cair da tarde
como uma carícia do tempo
que sorri sulcos na face
saudades fazem rios na minha cidade sobre as águas...
com meia vela na minha barcarola o vento não me lança bruto no mar,
sigo na transversal, como um horizonte inclinado no meu olhar
viver é oblíquo!