primeiro, já há o barro sovado e dessorado de milhoes de anos luz,
massageio ainda um pouco mais aqui em minhas mãos, ainda desforme,
elaborar - sentir as pedras, as farpas, o ferro, a concha espatifada em farelo
absorver e doar-me ao barro
como quando morri tantas vezes e me dei à terra
entregueie-me no rio do tempo em mergulho de uma só vez
transmiti informações de mim de mil vidas experienciadas
e levo comigo em constante mutação o passado ancestral genealógico e antológico
correndo para o mar, entre margens
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modelo o barro cru cor de terra caqui pele ocre , cravo canela e leite
o cheiro subindo pelas narinas
algo brinca dentro de mim e sorri
a língua se torna meus dedos alisando o barro modelando corpo forma de ser outra coisa
eis a causa de todos os vasos e peças e vulvas divinas
corpo de ventre e caos
de chifre e lua
vida é essa mistura de poeiras até parir estrela
Alessandra Espínola
Rio, bairro da olaria antiga, da grande pedra, 2026.
(Inverno , entre tempo de olaria-penha, 2026)
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