quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A massa sombria. O buraco negro que é uma outra imensidão.  A Massa escura. 
Que é um ser de contingências individuais e sociais na qual também  estou metida, mergulhada de cabeça na supermassa, somos todos partes e estamos todos metidos ate o pescoço, feitos da maior parte. Que se move , que nos move contingentes. Abarrotados. Cataclismáticos. Imersos.  Sonâmbulos.  Espessos. Densos. Subterrâneos.  Interiços. Amalgamados. Num grande Complexo humano, social, coletivo indivisível.  Uno.
Na grande cidade que não é partida e não há (nada) partido, este organismo vivo se move ora silencioso ora barulhento. Ora sorrateiro, ora já extravagante à superfucie de tão transbordante.  O ser que se soma a cada um num grande complexo que ora expurga ora vira saudade ora morre ora mata. Ora renasce como alien que se alimenta de si que se repete e se retroalimenta. Ora parasita ora palafita. Ora corpo presente ora corpo saudade. 

Rio de Janeiro, Vila Cruzeiro, primavera de 2024. 

sábado, 9 de novembro de 2024

 I

Há dias em que não encontro uma poesia num livro

É a procura do que não encontrei ainda.

Bobagem!

Encontrar é entregar. É perder fazendo a coisa achar. Um achado isso.

Fluir. Como os seixos, pedras, folhas, galhos, flores, peixes no curso do rio...

Eu mesma em mergulho tocar o leitoso fundo. Enxergar na luz turva das águas até o momento cristalino do rio e de novo outro mergulho, mais fundo, e desembocar nas espumas do encontro das águas do rio uando abraça o mar...

Agora, não vejo tudo, o todo

É aos poucos, em partes, vou vontemplando os horizontes que se dão e que se entregam e me tomam pelo encontro de mim comigo mesma.

"você deságua em mim, e eu oceano"

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, Maracanã, 06 de novembro de 2024.

 

domingo, 3 de novembro de 2024

 1-

novembro salta e respira

como um rato salta

para fora da roda de corrida

2-

os ovos de pássaros

na superfície de pedras submersas 

do grande rio da Vida...

 

Alessandra Espínola

Rio de Janeiro, (Vila Cruzeiro), primavera de 2024.


 Folhas soltas como chuvas no verão, as palavras caem no telhado, e salpicam a casa de lama, barro, água e terra, vai-se salpicando as pared...