sexta-feira, 1 de julho de 2016

teu...

teu...

.teu amor sucinto cinzas me vasculha toco redivivo e me sopra fogo. me atravessa lua. me lança sem catarses num prisma de dedos acenando flores. meu corpo de cópula toca-te. carne viva carnívora. língua de fibra-poema sem idioma. som de águas saindo da boca. como uma itália na catedral e o coração em erupção se rasgando na garganta gótica. o peito se misturando fogo terra lava água ar soterrado nos pulmões. incenso de crânio e raízes arrancando crianças das mãos de suas mães. patas cavalgando terras vermelhas como em desenlace. o coice voando na face. o golpe esmiuçante no tórax sem semântica nem sintaxe. só a pele roxa e o colibri à boca. agora a língua torta estalando na mandíbula. a noite me usura néctar nostálgico e saudade selvagem. na terra percorro vivas cicatrizes como um rio desenha geografias alucinantes no mapa. movo o caos lançando palavras no precipício como grandes quedas d'água ou vômitos tirados a dedo e unhas arrancadas à sangue quente. som de palpitações em últimas oitavas.
Alessandra Espínola

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