sábado, 3 de dezembro de 2011

À beira do lago

À beira do lago eu remava minha solidão como uma flor na pirambeira ribanceira ribeira de esfinge se deitar, lambia o lago com língua de fogo e meu dorso debruçado se dava em leitoso candelabro de cores, tremia ao vento a crina buquê de nectarina na face do lago, eram como árvores frondosas ao vento, era o vento tomando espectros, à beira do lago eu pensava lonjuras de dar n'água, queria vitórias-régias e raízes nadadeiras, peixes rubros vertendo rios perfumes espargidos na tarde, nebulosas nascendo mundos novos, o lago à beira inteira da cidade de sonhos lilases-verdes de asas que devora o cavalo que cavalga no fundo das águas. À beira de meu pasto o lago a lagoa o rio a lua num galope de lágrima e névoa-magma, à beira do lago entardecia o olhar violeta, tecia estrelas como fino teor de leveza como bonecas-estrelas para que a noite foice menos e mais canção e móbile. Na beira do lago eu me dormia como barcos de papel lançados à deriva, o casco era ocaso que por acaso certo afundava furna e se transformava em corais de prata e sal na tua memória marítima ilíada. Na beira do lago de nuvens a pupila-cristal lançada ponte de chegar ao centro, e depois? depois Estrela d'água!

5 comentários:

  1. na beira do lago/
    horizonte alargado/
    lágrima/
    névoa/ilíada
    Tudo à deriva
    das águas! beijos

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  2. Lázara
    Passei para agradecer o compartilhamento.
    Seu blog me inspira muito. Hoje estou passando para desejar um FELIZ NATAL e PRóSPERO ANO NOVO a você e toda a sua Familia.

    Bjs

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  3. Alessandra
    Voltei e reli seu texto é lindo.
    Desculpe-me da minha distração, o comentário acima
    é para você. O blog da Lázara tambem aprecio. Tem muita
    sensibilidade como você.

    bjs

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  4. Elisa, obrigada sempre pela sua presença!

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  5. Transcendental. Poesia lisérgica. Adicto que sou - amei.

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Investigo as vértebras da noite. Entre as fendas do tempo como escorpião espreito de soslaio a vida transitando pela casa. Pelas ruas. Corp...